Já sabemos que as mudanças na educação são constantes, mas o que muda na concepção de gestão?
Por Juliana Ferro
Acredito que a primeira coisa que vem à cabeça de muita gente quando falamos em mudança seja a palavra tecnologia, abrindo margem para falar do quanto seus avanços atravessaram a educação das crianças em casa e o reflexo desse movimento na escola. Não podemos descartar o fato de que as formas de comunicação e o consumo de conteúdo mudaram bastante, e, por falar nisso, aproveito para deixar uma dica de leitura sobre o impacto das telas no desenvolvimento infantil.
Porém, não é bem sobre isso que vamos conversar nesse texto. Aqui pretendemos trazer a tecnologia como aliada, mas também expandir nossa percepção sobre o que é o uso de tecnologia. Para isso, vamos ao clássico dicionário, que tem como possível definição de tecnologia “Teoria ou análise organizada das técnicas, procedimentos, métodos, regras, âmbitos ou campos da ação humana”. Perceba o quanto pode ser ampla essa definição. Podemos tanto estar falando de carros voadores, quanto de uma carroça. Pensando no ambiente escolar, podemos falar de lousa interativa ou sorteio de questões no saco de celofane. Ambas, podem significar procedimento/técnica no campo da ação humana.
O objetivo não é discutir qual é o mais empolgante, ou que leva a mais ou menos engajamento dos estudantes, aqui queremos lembrar que há inúmeras possibilidades dentro das tecnologias primárias, do papel e caneta.
Esclarecidos sobre a tecnologia, podemos seguir para como levar essa ideia para a gestão escolar. Pacheco e Oliveira (2019) explicam que, apesar dos avanços tecnológicos, a escola ainda está presa a um modelo estrutural burocrático, focado no acúmulo de conhecimento, e esse modelo precisa ser repensado para abarcar as mudanças ocorridas na sociedade. O mesmo se dá quando pensamos a gestão da escola. Apesar de termos ultrapassado o conceito de administração, é bem sabido que as formas de gerir ainda remetem à centralização de poder e à hierarquização.
Características como: “colaborar com a equipe de trabalho; de gerenciar o ambiente escolar complexo e diverso; capacidade de abstrair; saber utilizar tecnologias; visão de longo prazo; disposição para assumir responsabilidades pelos resultados; saber comunicar-se com eficiência com a comunidade escolar em geral; visão pluralista da situação; consciência das oportunidades e limitações próprias, etc”, também são citadas pelos autores como características de um bom gestor escolar.
Agora, por que para falar das mudanças na educação, entramos em tecnologia e na gestão escolar?
Se olhamos à nossa volta e percebemos uma mudança na sociedade, é imprescindível que a escola acompanhe essas mudanças, e não podemos levar essa discussão apenas para a prática em sala de aula. As mudanças na educação são fruto de procedimentos e técnicas (tecnologia) que foram sendo aperfeiçoadas ao longo do tempo, e isso precisa chegar no campo da gestão escolar também.
Por exemplo, em algumas escolas o WhatsApp funciona bem para a uniformização das informações, porém, já trabalhei em uma escola em que o grupo de professores não era acompanhado por grande partes dos envolvidos, o que gerava muito ruído na comunicação e, por ser um quadro muito grande de docentes, os recados dados na sala de professores se perdiam. Resultado? Pouca efetividade na comunicação e procedimentos diferentes para casos similares. Algo que possivelmente funcionasse é um diário de rotina, em que, ao chegar na sala dos professores, todos deveriam abrir o diário e verificar se algo foi posto e assinar.
Apesar de parecer um ajuste bobo, ele pode sinalizar ao corpo docente uma empatia com sua rotina corrida e estreitar a relação de pertencimento dos professores, já que esses passam a estar inteirados do que ocorre na escola, podendo futuramente trazer contribuições. Desse modo, seria possível ter uma noção melhor das informações circulantes que vinham majoritariamente da gestão.
É importante pensar aqui que a tecnologia deve ser uma aliada e também adaptada ao público envolvido, se eu tenho um quadro de professores resistentes ao uso de formulários online ou até mesmo do grupo do WhatsApp, vale a pena insistir nisso? Será que não vale ir testando mudanças aos poucos, porém, implementar procedimentos que atendam as necessidades do corpo docente?
É preciso considerar que as mudanças da sociedade que refletem na educação acontecem de forma rápida e avassaladora. Precisamos nos adaptar, porém, não esquecendo que tão importante quanto uma planilha automatizada de procedimento, são esses dados sendo alimentados na planilha, e para isso acontecer, precisamos de ferramentas compatíveis com a cultura escolar.
E você, o que pensa sobre esse assunto? Tem algum procedimento dito não tão tecnológico que funciona na sua escola?
Escreve para gente, vamos adorar continuar essa conversa.
Referência bibliográfica:
GARCIA, Flávia Júnia Justino Pacheco; DE OLIVEIRA RAMALHO, Ricardo. Resenha do livro “Gestão Educacional e Tecnologia”. Revista Evidência, v. 15, n. 16, 2019.
TECNOLOGIA. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2023. Disponível em: https://www.dicio.com.br/tecnologia/.
