O que faz um bom professor?

As principais características para identificar um bom professor

Para todos aqueles que já tiveram a experiência de ser aluno, reconhecer as qualidades de um bom professor não deve ser tão difícil assim. Além disso, podemos encontrar várias dicas na internet sobre isso. Mas será, mesmo, que é fácil identificar essas competências e usá-las como referência para guiar uma carreira na área educacional?

Pesquisadores recentemente demonstraram que a melhor forma de avaliar a prática docente é a partir do ponto de vista dos alunos em relação aos educadores. O artigo foi publicado no Journal of Teaching and Learning (Revista de Ensino e Aprendizado) destacando que os alunos identificam 6 qualidades positivas que caracterizam um bom educador dentro e fora da sala de aula:

  • Conhecimento, planejamento e didática;
  • Capacidade tecnológica;
  • Relações interpessoais com os estudantes;
  • Atributos pessoais;
  • Motivação; e
  • Nível de demanda e exigência.

Se você trabalha ou já trabalhou como educador com certeza já deve ter percebido a importância de ter em sala de aula um aluno engajado e participativo. Mas será que essa boa atitude dos alunos tem a ver exclusivamente com as qualidades individuais deles? Um dos argumentos do artigo é de que a participação dos alunos em sala de aula está diretamente associada com a capacidade do professor de mostrar suas habilidades sociais e de empatia com relação a eles. Professores mais acanhados socialmente, por mais que dominem o conteúdo, acabam inibindo a participação dos alunos na aula. O mesmo vale para profissionais estressados e antipáticos, comportamento às vezes comum em alguns momentos da vida de um docente.

Ser professor nos dias atuais é um constante desafio, mas ser aluno também não é algo fácil! Profissionais desatentos às particularidades de cada aluno, seus pontos fortes e fracos, acabam semeando oportunidades para as injustiças no processo de aprendizagem de seus alunos. Ter a capacidade de observar e ser empático com os alunos pode mudar completamente uma dinâmica de sala, e ajuda os alunos no processo de amadurecimento emocional, competência cada dia mais imprescindível para viver no mundo de hoje.

O aluno certamente tem participação ativa no sucesso ou fracasso de seu percurso de aprendizagem, mas cabe à figura do professor, não apenas ser o detentor de conhecimentos, mas atuar como o mediador e auxiliar o aluno em seu próprio caminho de aprendizagem. E quem confia em um auxiliar que não se interessa pelo trabalho ou pelo sujeito que está recebendo este auxílio? Poucos talvez sejam os alunos que se aventurariam a aceitar uma situação dessas, mas, hoje, com certeza muitos a toleram por falta de opção. E esse é o caso de muitos alunos, que se veem obrigados a conviver com um professor indiferente a ele.

O estímulo à aprendizagem do aluno está diretamente ligado à relação afetiva e respeitosa que o seu professor estabelece com ele. Esta foi uma das mais importantes características que definem o bom professor relatada no artigo, ou seja, desenvolver uma boa relação com os alunos é um reflexo das habilidades sociais da educação.

Se você se relaciona com seus alunos desta forma, aberta e empática, conte para a gente! Se você se viu na descrição do professor indiferente, carrancudo ou antipático, vamos praticar a empatia e bom relacionamento com os alunos? Converse com a gente para entender as melhores opções para a sua rede!

Referência:

KLAFKE, R., OLIVEIRA, M. C. O. The Vanguardist Good Professor in Natural and Social Sciences. Journal of Education and Learning, Vol. 8, No. 2, 2019.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!