Pauta Formativa: um guia para reunião pedagógica

4 pontos-chave para a construção de uma pauta formativa

  • O coordenador e a reunião pedagógica

Quando falamos da figura do coordenador pedagógico surgem em nossa mente diferentes atividades realizadas por ele, desde alinhar os planos de ação de caráter pedagógico junto à gestão escolar até acompanhar e validar o planejamento de aulas dos professores. Mas, quando pensamos em atividades que englobam a escola como um todo, as reuniões pedagógicas são uma grande responsabilidade do coordenador pedagógico. E elas, por sua vez, tendem a gerar controvérsias. Há quem goste desse espaço de diálogo e compartilhamento e há quem não o veja como um momento proveitoso, pois se torna um lugar para desabafar ou para trocar atritos sem chegar a um direcionamento final.

  • Qual o sentido e o valor de uma pauta formativa?

Nesse sentido, é importante, antes de qualquer reunião pedagógica, estabelecer uma pauta formativa para estruturá-la e guiá-la, de modo a alcançar os objetivos desejados. A pauta formativa deve não só trazer um direcionamento para reunião, mas também intencionalidade para esse momento, buscando a melhor utilização do tempo dedicado à formação. 

Assim, reflita sobre alguns pontos antes de agendar uma reunião pedagógica, como, por exemplo: Qual o propósito dessa reunião? Por que devemos fazê-la? Não faça esse tipo de encontro apenas por fazer, para cumprir uma demanda, torne-a um espaço frutífero, no sentido de discutir pontos essenciais e urgentes para a escola e faça dela um momento de aprendizagem colaborativa.

Se esses pontos ainda não te convenceram sobre o valor da pauta formativa, pense em como ela pode ser usada como uma forma de registro das reuniões pedagógicas realizadas, mostrando para vocês qual caminho estão percorrendo para alcançar as metas estabelecidas, seja pela rede de ensino onde a escola está inserida, seja pela própria escola, tendo em vista o currículo e o projeto político pedagógico. Com as pautas formativas, você conseguirá retomar facilmente e de forma sistematizada o que fizeram na reunião anterior. Inclusive, esse processo de verificar e analisar a pauta planejada e a executada levarão ao aperfeiçoamento, no sentido de te incentivar a buscar referências para seus direcionamentos, de encadear a reunião e de determinar a duração das atividades a serem efetuadas ao longo dela. Portanto, a pauta não só contribui para guiar a reunião, mas serve como base para refletir sobre a condução do seu trabalho.

  • Quais pontos considerar para a criação de uma pauta formativa?

Nem sempre produzir uma pauta formativa é uma tarefa fácil, pelo contrário, demanda tempo, reflexão, e a capacidade de priorizar demandas, tendo em vista os interesses dos diferentes atores presentes no ambiente escolar. Dessa forma, nossa intenção aqui é trazer pontos-chave para nortear esse processo de construção.

  1. Estabeleça um objetivo claro: Um dos primeiros pontos para iniciar uma pauta formativa é definir o objetivo da reunião pedagógica. Ao final dela, o que eu quero atingir? Esse objetivo geral pode, inclusive, se desdobrar em objetivos específicos, os quais podem ser utilizados para guiar os diferentes momentos da reunião. E os objetivos não devem apenas fazer parte da sua pauta formativa, mas devem ser expostos para quem estiver na reunião. Mostre para sua equipe que existe um propósito significativo por trás da reunião. Inclusive, se possível, no momento do convite da reunião já os informe previamente para que os professores estejam cientes do que será discutido antes mesmo da reunião começar.
  2. Construa uma sequência lógica de atividades: Se sua reunião precisa contar com três atividades distintas para concretizar os objetivos determinados anteriormente, como sequenciá-las? É importante refletir sobre o encadeamento delas, no sentido de pensar como uma pode se desdobrar em outra. A reunião deve ter princípio, meio e fim. No mais, não deixe atividades maçantes e cansativas nem para o início e nem para o fim da reunião pedagógica para que, assim, todos ingressem nela de fato e estejam presentes ao longo de toda a sua duração. Uma sugestão é começar com uma atividade mais dinâmica, na qual as pessoas tenham uma participação ativa e possam trazer ideias e ouvir o ponto de vista dos outros, depois siga para uma atividade mão na massa, que demanda reflexão e sistematização de pensamentos e ações e, por fim, passe para um momento de compartilhamento e feedback.  
  3. Crie espaço e processo para ouvir todas as vozes: Dentro da reunião pedagógica existe um considerável número de pessoas, e nem sempre suas opiniões estão alinhadas. Se ao longo da reunião precisar colher percepções do seu grupo, pense em como irá fazer isso por meio da pauta formativa, pois senão corre o risco de algumas pessoas monopolizarem esse momento ou pode não haver o engajamento necessário. Uma forma de fazer isso é dispor o grupo de uma forma que todos possam se ver e se ouvir, como, por exemplo, em círculo. Além disso, predetermine perguntas e um processo para que todos possam falar. Para isso, você pode criar perguntas norteadoras para cada um responder e estabelecer um tempo de resposta individual.  
  4. Defina tempo para as atividades: Se sua reunião terá quatro momentos diferentes, estime o tempo de duração de cada uma, de modo a cumprir com a pauta formativa, sem ter que sacrificar nenhum momento. Isso não quer dizer que o tempo não possa ser flexibilizado no decorrer da reunião, pois nem sempre o planejamento e a execução coincidem, mas definir o tempo também contribui para que você, coordenador, tenha controle da reunião e não a deixe seguir para um caminho distinto dos seus objetivos. É comum durante uma reunião as pessoas abordarem problemáticas que não estão incluídas no escopo da pauta formativa, mas isso não quer dizer que não possam ser analisadas em uma outra oportunidade. Assim, crie um estacionamento para os professores colocarem em espera quaisquer questões fora do tópico ou emergentes. O estacionamento pode ser um caderno ou um mural físico presente na sala de reunião, ou pode ser uma ferramenta digital como o padlet ou miro

Criar e executar uma pauta formativa pode representar uma mudança de cultura escolar, pois, por vezes, é comum que em algumas escolas a reunião pedagógica se torne um espaço para desabafar e até mesmo “fofocar” sobre fatos ocorridos na escola. Então, esteja presente e disposto na reunião pedagógica, incentive esse comportamento em sua equipe e seja firme quanto a essa eventual mudança, observe o que deu certo e o que precisa ser ajustado, mas não desista, caso em um primeiro momento a reunião não saia conforme o planejado. Além disso, quando preciso, reafirme para seu grupo o motivo dessa mudança.

No mais, não veja a pauta formativa como um fato limitador para a reunião em questão, entenda que ela é um guia para a condução dela e, se necessário, a flexibilize no momento da reunião em si. Eventualmente podem acontecer imprevistos e será necessário aumentar ou reduzir o tempo de uma atividade ou até mesmo pode ser preciso excluir algum momento planejado. Lembre-se que a reunião também é um momento de interação e integração entre o grupo para o fortalecimento do sentimento de rede.

E aí, coordenador, pronto para construir uma pauta formativa para sua próxima reunião pedagógica? Se quiser trazer algum comentário ou experiência, ou até mesmo pedir ajuda, entre em contato com a gente! A Curiós tem a metodologia certa para te ajudar a mudar (para melhor) a realidade das reuniões pedagógicas da sua escola 🙂

Referências: 

AMARAL, Aurélio. Como elaborar boas pautas para as reuniões pedagógicas. Nova Escola – Gestão, 2012. Disponível em: <https://gestaoescolar.org.br/conteudo/324/como-elaborar-boas-pautas-para-as-reunioes-pedagogicas>. Acesso em: 30 mai. 2023.

THOMAS, Laura. 5 Tips for Meetings Worth Going To. Edutopia, 2015. Disponível em: <https://www.edutopia.org/discussion/5-tips-faculty-meetings-worth-going>. Acesso em: 30 mai. 2023.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!