O que, de fato, nos dizem os resultados do Pisa 2022?

O desempenho do Brasil no Pisa 2022 e o que eles nos dizem sobre a formação de professores – por Débora Chaves

Quando abri pela primeira vez as tabelas de resumo dos resultados do Pisa 2022, fiquei intrigada com uma coisa: por que tantos sinais negativos (-)? Enquanto a maioria das manchetes fala sobre como estamos nas últimas posições do ranking ou como os alunos estão com muita dificuldade em interpretação de texto e na resolução de problemas matemáticos, o que me parece é que não só o Brasil, mas todo o mundo sofreu o impacto da pandemia quando se fala de aprendizagem.

Se você não sabe do que eu estou falando, o Pisa é a sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, uma iniciativa internacional promovida pela OCDE, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, aplicada a cada 3 anos. A avaliação é referência na medição do desempenho dos estudantes e da qualidade da educação dos mais de 80 países participantes.

Falando do resultado, Singapura lidera o ranking para todos os componentes analisados: leitura, matemática e ciências. O topo da lista não traz grandes surpresas em si, com China, Japão, Coreia, Suíça, Estônia e Canadá sendo protagonistas. No entanto, a comparação com o ano anterior de aplicação nos faz refletir sobre como todos ainda estão na caminhada em busca de uma recuperação expressiva com relação às perdas dos últimos anos.

De fato, os resultados brasileiros não são motivo para comemoração. Estamos bem abaixo da média dos outros países em todos os componentes. Não caímos, mas também não subimos expressivamente em um ranking que quase todos tiveram resultados aquém do esperado. Na verdade, estamos em relativa estagnação desde 2009! Enquanto é louvável todo o esforço dos educadores para “ressurgir das cinzas”, os resultados reforçam a importância de políticas públicas mais fortes e consolidadas para uma recuperação consistente. 

Vale também dizer que um dos critérios da avaliação é o socioeconômico: alunos de melhores condições socioeconômicas são comparados com alunos de outros países em situações similares. Mesmo nesse caso, o desempenho brasileiro não foi satisfatório, estando também abaixo da média. Apesar disso, é importante mencionar que sim, foi mais uma vez observado que há ainda uma grande disparidade em níveis de aprendizagem quando comparados alunos de escolas particulares e públicas em nosso país.

Esse é também um alerta para os diretores de escola, secretários coordenadores e mesmo para os professores, independente de qual seja o seu contexto. Vale cada ator refletir sobre quais são as iniciativas mais apropriadas para mudar essa realidade. Como podemos buscar um resultado melhor daqui a 3 anos?

Camilo Santana, atual ministro da educação, comentou ao G1 o seu palpite: uma boa formação de professores. Com isso, a gente não poderia concordar mais! É na formação de professores que temos a principal fonte de transformação de toda a educação. É com ela que gestores são mais bem preparados, professores são mais capacitados para viver o dia a dia da sala de aula e, por fim, alunos experimentam uma educação que faz sentido para eles.

Formações em linguagens, matemática e ciências, bem como programas com foco nessas áreas, são importantes. Apesar disso, é fundamental considerar as formações em práticas pedagógicas, estratégias e gestão de sala de aula para, de fato, fazer o conhecimento chegar da melhor forma possível aos alunos.

O que você pensa sobre isso? A Curiós pode te ajudar a implementar um programa de formação completo e que faça sentido para a sua realidade. Entre em contato com a gente pelo link do nosso Whatsapp.

Referências:

OCDE. “PISA 2022 Data Base: Comparing countries’ and economies’ performance”. Disponível em: https://www.oecd.org/pisa/OECD_2022_PISA_Results_Comparing%20countries%E2%80%99%20and%20economies%E2%80%99%20performance%20in%20mathematics.pdf 

G1. “7 de cada 10 alunos brasileiros de 15 anos não sabem resolver problemas matemáticos simples, mostra Pisa”. Dezembro de 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2023/12/05/7-de-cada-10-alunos-brasileiros-de-15-anos-nao-sabem-resolver-problemas-matematicos-simples-mostra-pisa.ghtml 

G1. “Ranking da educação: Brasil está nas últimas posições no Pisa 2022; veja notas de 81 países em matemática, ciências e leitura”. Dezembro de 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2023/12/05/ranking-da-educacao-brasil-esta-nas-ultimas-posicoes-no-pisa-2022-veja-notas-de-81-paises-em-matematica-ciencias-e-leitura.ghtml 

Exame. “Pisa 2022: Brasil fica entre os 20 piores países em matemática e ciências; veja detalhes”. Dezembro de 2023. Disponível em: https://exame.com/brasil/pisa-2022-brasil-fica-entre-os-20-piores-paises-em-matematica-e-ciencias-veja-detalhes 
BBC. “Até alunos mais ricos no Brasil estão abaixo da média global em Matemática, aponta Pisa”. Dezembro de 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cv2zx819rg4o

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