Planejamento anual pronto funciona?

Vamos abordar aqui alguns perigos da prática de usar um planejamento anual pronto em uma rede ensino

Por Juliana Ferro

É comum dentro das escolas as equipes terem a sensação de estarem sempre lidando com imprevistos, ou o famoso, “apagando incendio”, o que afeta o funcionamento das atividades dentro da escola e também o estado físico e emocional dos agentes envolvidos. Há quem diga que “imprevistos são previstos”, e eu até concordo. Entra ano e sai ano, e por vezes, continuamos lidando com os mesmos “imprevistos”. Não desconsidero que estamos em constante mudança o que proporciona novos desafios para o contexto escolar, e reconheço que a ideia de usar um planejamento anual pronto pode ser tentadora.

Desse modo, bem como já apontamos aqui no Blog diversas vezes, planejar é preciso (!), mas não é o único cuidado que precisamos ter quando falamos de redes educacionais.

Primeiramente, precisamos alinhar o que é um planejamento anual. Ele tem como um grande objetivo estabelecer quais ações, métodos e temáticas serão trabalhados durante todo o ano. O que não configura nenhum problema à primeira vista. No entanto, quando falamos de planejamento anual pronto, sobe um alerta de perigo.

O que não falta hoje em dia é conteúdo na internet e profissionais que dedicam seu tempo para produzirem materiais de aula que facilitem a vida dos professores e gestores. De fato, toda essa coletânea de recursos disponível é de muita valia e dá suporte tanto para os professores quanto para os gestores.

Mas não podemos ignorar outro fator muito importante quando estamos falando de educação, que é o contexto. Isso mesmo, essa palavra não pode ser jamais ignorada no meio educacional, pois ela representa uma parte significativa para garantir o aprendizado.

Desse modo, um planejamento anual pronto, ou seja, por vezes, algo encontrado na internet ou produzido por pessoas fora do contexto da rede, cai no que Luck (2000) chama de planejamento funcional. Segunda a autora, é um planejamento que considera os pontos principais e tópicos, mas desconsidera as possibilidades locais, disponibilidade das equipes, conhecimentos técnicos, entre outras pontos que constroem o famoso contexto e que são necessários para a execução do planejamento.

Assim, o planejamento funcional acaba por prejudicar o alcance efetivo dos objetivos almejados. A proposição de um planejamento anual, portanto, não pode ser desconexa da realidade regional. Pensando dentro de um contexto macro para o contexto micro, é fundamental haver direcionamentos, como os que temos da esfera federal para a estadual e municipal. É preciso pensar em um planejamento que consiga sofrer adaptações sem ferir os contextos micros, que nesse cenário representam a escola.

Apesar de ser muito convidativo pegar um planejamento anual pronto, ele pode significar uma não adequação da rede de ensino e consequentemente o não alcance de resultados. Por isso, encorajamos que cada equipe dedique o tempo necessário para realizar um planejamento que, de fato, cumpra com os objetivos específicos para a rede. Vença a tentação de usar um planejamento anual pronto!

Precisa de ajuda com essa tarefa? Que tal entrar em contato com a Curiós? Nossos especialistas podem ajudar 🙂

Referências:

LÜCK, Heloísa. A aplicação do planejamento estratégico na escola. Revista gestão em rede, n. 19, p. 8-13, 2000.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!