4 dicas para lidar com os desafios de ser professor de Projeto de Vida – por Luísa Assis
Eu enquanto professor: quais são meus desafios?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio impuseram e ainda estão impondo mudanças na realidade educacional voltada para a juventude, principalmente, no tocante à estruturação das disciplinas e às metodologias de ensino. De acordo com esses marcos, o estudante deve estar no centro do processo de ensino e aprendizagem de modo a desenvolver características, como, autonomia, responsabilidade, proatividade e criticidade.
Além disso, o foco desse processo deve estar na formação integral e no desenvolvimento global do aluno, não sendo mais cabível se ater somente a um conhecimento teórico e técnico, transmitido de maneira passiva e fragmentada em tópicos ou capítulos. É necessário construir junto com os estudantes um conhecimento contextualizado e aplicável segundo suas vivências.
Nesse sentido, um dos pontos-chaves dessa formação diz respeito à disciplina de Projeto de Vida. Ela tem como objetivo incentivar os estudantes a refletirem e projetarem seus futuros a partir de três dimensões centrais: pessoal, social e profissional. A primeira foca na relação consigo mesmo, envolvendo o processo de autoconhecimento. A segunda corresponde à relação com o outro e com a sociedade. E a última, por sua vez, diz respeito ao mercado de trabalho, carreira e estudos.
Mas o professor que assume essa responsabilidade, por vezes, sofre um “baque” em um primeiro momento. Afinal, ensinar e auxiliar os estudantes na prospecção e no planejamento de seus respectivos projetos de vida não é algo simples. Quem já passou ou está passando por essa experiência, possivelmente, enfrentou ou enfrenta diversos desafios, como, por exemplo:
- falta de formação prévia para ministrar o conteúdo,
- falta de metodologias de ensino diversificadas para aplicar durante as aulas,
- falta de repertório para propor temas e atividades,
- falta de recursos, como projetor, caixa de som e material de papelaria,
- currículo com habilidades subjetivas,
- dificuldade para lidar com aspectos variados sobre a vida, desde questões profissionais até pessoais, e
- dificuldade para lidar com problemas e/ou questionamentos apresentados pelos estudantes sobre temas sensíveis, como, por exemplo, orientação sexual, gênero, autoaceitação, racismo, ansiedade e depressão.
Outro ponto a ser levado em consideração quando falamos em Projeto de Vida é referente à diversidade de contextos e perfis das escolas e dos estudantes. Têm escolas em que os alunos, em sua maioria, possuem perspectivas sobre o que querem para seu futuro e outras em que os alunos se veem em circunstâncias restritas, não enxergando possibilidades para projetar sua vida, principalmente, no campo profissional por não ter referências e não vislumbrar oportunidades de emprego onde vivem.
Contudo, esse último cenário não deve ser visto de uma forma estigmatizada pelo professor, como um empecilho para o desenvolvimento da disciplina. Apesar de ser um desafio, ela deve ser adequada de acordo com a realidade de cada escola para se entender quais devem ser seus focos e diretrizes de modo a estimular os estudantes a refletirem sobre suas vidas, entendendo quem ele é, como se dá sua relação com os outros, como ele se insere dentro do sociedade e quais são seus desejos para o pós-escola para, assim, construir suas metas de curto, médio e longo prazo.
O que posso fazer para enfrentar esses desafios?
Diante desses pontos, seguem algumas sugestões que podem te ajudar a criar caminhos para conceber como sua disciplina de Projeto de Vida será estruturada e executada:
- constitua uma base teórica sobre esse componente curricular através de formações e leitura de materiais pedagógicos. O site do Instituto Iungo fornece uma formação online sobre o Novo Ensino Médio, videoaulas, podcasts e livros. O site da Porvir também tem indicação de cursos para conhecer metodologias inovadoras e criativas.
- busque materiais para planejar suas aulas. Algumas redes de ensino oferecem apostilas orientadoras ou livros didáticos. Caso sua escola não possua, o site e-docente contém diferentes exemplares disponíveis online, só é necessário realizar o cadastro na plataforma.
- inspire-se nas práticas de outros professores e construa seu próprio repertório de atividades. A Fundação Telefônica Vivo e a Secretaria de Educação do Estado da Bahia desenvolveram um compilado de boas práticas em Projeto de Vida, o qual pode ser conhecido por meio desse link. O Instituto Iungo e o Porvir também idealizaram uma plataforma, na qual você pode ver planos de aula de outros docentes e pode construir seus próprios planos de aula, conforme o seguinte link.
- ouça seus estudantes por meio de feedbacks. Você pode pedir para que mensalmente eles façam uma avaliação das aulas através de um formulário anônimo, sinalizando quais são os pontos positivos das aulas, o que precisa melhorar, quais temas ou questões eles gostariam de discutir, entre outros pontos, para construir um encadeamento de aulas coerente e que atenda às demandas dos alunos.
A comunicação é a chave
Inclusive, quando falamos de Projeto de Vida é importante ter uma comunicação próxima e sincera com seus estudantes para que seja estabelecida uma relação de confiança entre você e eles e entre eles também, para que se sintam seguros e confortáveis para expressar e compartilhar seus pensamentos, opiniões, questionamentos, agonias, preocupações e demais sentimentos. Nesse processo, o professor, por vezes, também precisa passar por um processo de abertura de modo a demonstrar suas fortalezas e fragilidades, até porque passa a ser uma referência para o estudante.
Portanto, o Projeto de Vida coloca tanto os estudantes quanto os professores em um lugar novo, caracterizado por descobertas, mudanças e aprendizados. Tais fatores remetem ao seguinte trecho do poema de Manoel de Barros:
“Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.”
Afinal, esse componente curricular não nos permite permanecer no piloto automático e na monotonia da rotina, pelo contrário, nos estimula a sair da caixa e a abrir-se para aprender das mais diferentes formas, especialmente, nas trocas com o outro.
E aí, professor? Pronto para aprender?
No nosso blog, você ainda encontra mais dois artigos sobre o tema, que podem te ajudar com suas aulas, basta acessar esse link para saber mais sobre o componente curricular e esse outro link para conhecer estratégias para iniciar discussões com seus alunos. Precisa de um apoio mais pessoal? Mande uma mensagem!! Estamos ansiosos pra conhecer a sua realidade e ajudar em seus desafios 🙂
Referências:
LEITE, Carlos Wiliam. Os 10 melhores poemas de Manoel de Barros. Bula Revista, 2016. Disponível em: <https://www.revistabula.com/2680-os-10-melhores-poemas-de-manoel-de-barros/>. Acesso em: 21 nov. 2022.
