Sala de Aula Invertida: o aluno como protagonista

Uma inversão de papéis com muito comprometimento para melhores resultados na sala de aula invertida

O conceito de Sala de Aula Invertida surgiu nos Estados Unidos em 2007, mas ainda é uma novidade para nós aqui no Brasil. Ele consiste em alterar a ordem dos acontecimentos: normalmente, o professor explica o conteúdo em sala e o aluno aplica e treina em casa. Como seria se ocorresse o inverso?

Fazendo uma relação com a Taxonomia de Bloom (material em geral conhecido pelos professores, mas que vale a pena lembrar aqui!), que consiste em uma estruturação hierárquica de objetivos educacionais – do mais simples ao mais complexo. Seria como se em sala o professor trabalhasse os últimos pontos (aplicação, análise, síntese e avaliação), enquanto em casa, o aluno desenvolvesse os primeiros (conhecimento e compreensão).

Através desse modelo, os papéis de professor e aluno também sofrem modificações. O estudante deixa de ser apenas receptor do conhecimento e assume um papel ativo, de protagonista do seu próprio aprendizado, enquanto o professor, ao invés de ser quem irá transmitir o conteúdo, atua como guia/conselheiro do aluno na busca pelas informações.

Na prática, como isso acontece?

O professor deve selecionar uma lista de vídeos (ou ele mesmo pode elaborá-los) e outros materiais como textos impressos, livros, entre outros, e deve divulgá-los ao aluno antes da aula, para que ele conheça e compreenda o assunto. No momento presencial, por sua vez, será a hora de tirar as dúvidas e praticar o conteúdo. Uma dica é passar um questionário para que o aluno responda antes da aula, de forma que o professor consiga analisar e se preparar para sanar as dúvidas.

Para que a proposta funcione, entretanto, é necessário um comprometimento do aluno com os estudos e, por parte do professor, a compreensão de dois pontos:

  • que você não será a única fonte de conhecimento do aluno – e isso não quer dizer que seu papel será supérfluo, apenas que atuará com outras funções.
  • que você poderá se deparar com uma pergunta/dúvida ou até mesmo informação apresentada pelo aluno que, para você, é desconhecida. Isso não é um problema! Quer dizer que o estudante está indo além, pesquisando e se aprofundando no conteúdo. Porém, é importante deixar claro para todos que você não é “o Google” e não tem todas as respostas e informações.

Diante disso, a Sala de Aula Invertida pode assustar em um primeiro momento e pode ser um desafio. Mas pesquisas mostram que os resultados são muito positivos: alunos se mostram mais engajados e participativos, além de apresentarem melhoras no rendimento!

Então, que tal tentar? Uma forma de garantir a eficácia do método é através da troca de impressões entre o aluno e o professor. Vale a pena perguntar ao aluno o que ele está achando dos materiais, no que está sentindo maior dificuldade ao aplicar o método (estudar sozinho? ter tempo para se preparar antes da aula?) e, a partir das respostas, ir adequando o modelo para as suas salas.

Quer pensar nas melhores estratégias de sala de aula pra sua rede? A Curiós trabalha de forma escalável, gerando uma transformação coletiva na educação da região. Entre em contato com a gente, vamos conversar!

Referências:

FLORES, Linda Gladiola; Buchelli, María Guadalupe Veytia; Tabia, Javier Moreno. Clase invertida para el desarrollo de la competencia: uso de la tecnología en estudiantes de preparatoria. Educación vol.44 n.1 San José, San Pedro, Montes de Oca Jan./Jun. 2020.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!