Tarefas colaborativas para desenvolver habilidades interpessoais no retorno às aulas
Estudantes de todo o mundo estão experimentando dificuldade no que diz respeito ao pertencimento, à medida que a pandemia criou condições de relativo isolamento e uma quantidade significativa de imprevisibilidade nas comunidades e ambientes domésticos. No retorno às aulas, alguns dos impactos vêm à tona com força!
Podemos observar um distanciamento nos comportamentos dos alunos, que frequentemente têm sido um reflexo de altos níveis de estresse. Nossas escolas estão sendo desafiadas a retornar a algum tipo de normalidade, mesmo enquanto passamos pelo terceiro ano acadêmico de uma pandemia. A perda social que nossos alunos estão carregando é palpável.
Como os alunos voltaram para a sala de aula, é importante reacender o poder da aprendizagem cooperativa. As habilidades de aprendizagem cooperativa são cruciais para os alunos, especialmente porque a globalização e os avanços tecnológicos e de comunicação continuam a aumentar a quantidade de informações acessíveis e a necessidade de colaboração.
Como equipe, estamos nos perguntando como recuperar sentimentos de segurança e conexão para que o aprendizado possa acontecer nesse retorno às aulas. Precisamos aproveitar a energia e o apego dos alunos uns aos outros, e podemos fazer isso de diversas formas!
1. Jogos de tabuleiro: que tal organizar dias de jogos de tabuleiro na programação da escola? Uma maneira é separar vários jogos, especialmente os que podem ser jogados em equipe. Depois disso, o próximo passo é organizar os alunos e os jogos em estações, orientando para que elas sejam rotativas, de forma que todos conheçam novas pessoas e se engajem na atividade. O objetivo aqui é fazer com que os alunos se envolvam em diferentes formas de lazer “offline” e reaprendam a estar uns com os outros.
Antes de começar as rodadas, uma breve conversa pode ser realizada, de modo a reforçar alguns princípios importantes. Você pode organizar algumas perguntas previamente, como:
- O que é cooperação?
- Como podemos discordar?
- Quais são as melhores maneiras de se deslocar de uma estação para outra?
- O foco não está em vencer, mas em colaboração e inclusão. Como será isso?
Os componentes interativos e interdependentes da aprendizagem cooperativa oferecem as experiências emocionais e interpessoais que aumentam a consciência emocional, o julgamento, a análise crítica, a tomada de perspectiva flexível, a resolução criativa de problemas, a inovação e o comportamento direcionado a objetivos.
2. Expressão criativa: quando desenhamos, registramos e criamos com meios artísticos, podemos expressar crenças, sentimentos e sensações, criando imagens dessas emoções e condições. Esse tipo de expressão livre pode ajudar os alunos a compartilharem suas identidades únicas e seus repertórios culturais por meio de diferentes linguagens e formas de expressões, que as escolas muitas vezes não entendem porque vêm de normas e valores sociais e culturais diferentes.
3. Dedico este…: nesta prática de atenção focada, os alunos criam um desenho ou escrevem algumas palavras que desejam compartilhar sobre alguém que admiram. Ao pensar nessa pessoa, eles respiram profundamente por um minuto, compartilhando seu amor e esperança por meio de imagens ou palavras de gratidão e conforto. Eles então devem dedicar essa figura a um colega.
4. Compartilhando Preocupações e Conquistas: os alunos anotam ou desenham uma preocupação, problema ou até mesmo uma conquista que desejam compartilhar. Dobrando o papel, eles o entregam a um colega. Os colegas então respondem um ao outro com uma imagem ou palavras. Um ponto de atenção é que, antes de implementar essa prática, precisamos discutir acordos e confiança dentro de nossa sala de aula, e fazer essa atividade deve ser sempre uma escolha.
5. Desenho duplo e registro no diário: para ser de fato um trabalho cooperativo, em vez de indivíduos trabalhando em paralelo em um grupo, os alunos precisam uns dos outros para concluir a tarefa. Espera-se nessa prática que os alunos participem de tarefas claramente construídas e necessárias para o sucesso do grupo. Os objetivos de aprendizagem são claros e se conectam aos seus interesses, e os alunos têm pré-requisitos e sabem como buscar ajuda quando precisam.
Um exemplo de atividade para “aquecer os motores” é os alunos compartilharem uma folha de papel por um ou dois minutos. Quando o tempo começa, um desenha uma linha ou forma e depois passa a folha para a outra pessoa para que ela possa adicionar uma linha ou uma forma. Eles continuam a fazer isso pelo período de tempo definido sem falar um com o outro. Quando o tempo acabar, eles podem falar sobre o que desenharam juntos, dando um título e qualquer descrição que pareça apropriada para ambos.
Em uma variação dessa atividade, os alunos podem usar o mesmo padrão com um diário duplo ou contar histórias. Para o período de tempo definido, os alunos passam uma folha de papel para frente e para trás, contribuindo com uma ou duas frases de cada vez para criar uma história juntos. O professor pode fornecer dicas sobre lugares, objetos ou outros temas para que os alunos possam conectar suas histórias ao que estão aprendendo ou entre si. Eles podem escrever sobre suas semelhanças, diferenças, interesses, entre outros.
De um modo geral, para pensar em atividades que trabalhem a cooperação, é importante planejar. Algumas perguntas podem ajudar:
- Existe mais de uma resposta e mais de uma forma de resolver o problema ou criar o projeto?
- O objetivo é intrinsecamente interessante, desafiador e recompensador?
- Cada membro do grupo será capaz de contribuir de maneiras que serão valorizadas e apreciadas?
- Cada membro terá oportunidades de participar através de seus pontos fortes?
- A participação de todos os membros é necessária para o alcance das metas do grupo?
- Como você monitorará as habilidades, o aprendizado e o progresso do grupo e do indivíduo?
- O tempo é planejado ao longo da experiência, não apenas no final, para acompanhar o progresso das metas e interações interpessoais?
Além de definir diferentes funções para cada membro do grupo, uma outra estratégia é organizar pontos de checagem para que os alunos avaliem o andamento da atividade por meio de perguntas como:
- Todo mundo está falando?
- Estamos ouvindo uns aos outros?
- Por que não concordamos com a opinião ou ideias de outro membro?
- O que podemos fazer diferente?
Em diferentes componentes, teremos diversas possibilidades de elaboração de atividades ou mesmo aulas cooperativas. De todo modo, os resultados esperados são alunos mais à vontade com a participação e com a possibilidade de erro (correr o risco de errar, oferecer sugestões, defender suas opiniões etc.).
Uma vez que é impossível que todos os alunos tenham interações individuais frequentes com os professores ao longo do dia, os grupos cooperativos podem reduzir a dependência dos professores para orientação, gerenciamento de comportamento e feedback do progresso.
O planejamento da aprendizagem cooperativa transfere para os alunos a responsabilidade de tomada de decisão e resolução de conflitos. É reconfortante em tempos de mudança e imprevisibilidade ter as experiências de apoio e crescimento da aprendizagem cooperativa bem planejadas, inclusive para melhorar a sensação de pertencimento dos alunos.
A Curiós conta com uma comunidade de educadores engajados em oferecer uma educação de qualidade aos seus alunos. O melhor de tudo é que você também pode fazer parte dela! Quer saber como? Entre em contato 😉
Referências:
Edutopia, por Lori Desautels. “Helping Students Reacclimate to Being With Others All Day”. Novembro de 2021. Disponível em https://www.edutopia.org/article/helping-students-reacclimate-being-others-all-day?
Edutopia, por Judy Willis. “How Cooperative Learning Can Benefit Students This Year”. Novembro de 2021. Disponível em https://www.edutopia.org/article/how-cooperative-learning-can-benefit-students-year?
