Um olhar integral para os profissionais de educação

Foco no aluno nas formações dos profissionais de educação

No post anterior, falamos sobre a política de formação dos profissionais de educação, com foco nos professores. Mas será que o desenvolvimento dos educadores para por aí?

Muito já foi estudado ao longo do tempo sobre produtividade e evolução nas dinâmicas de trabalho. A mudança é clara quando se pensa no formato do fordismo, que revolucionou o mercado com uma linha de produção estruturada e com funcionários especialistas, até as diversas tecnologias e modos de interação que temos hoje. Muitos paradigmas foram quebrados e transformados até que se entendesse o capital humano como o centro da produção e oferecimento de serviços. Mais do que o que se obtém como resultado, o bem estar dos funcionários, bem como a abertura para que haja seu desenvolvimento, assumem papel prioritário nesse cenário.

Na gestão pública, a administração nessa modalidade deve estar sempre voltada para o cidadão. Mais especificamente no caso das redes de educação, o foco deve estar voltado aos alunos e o aprendizado deles.

Pensar sobre isso no contexto das secretarias de educação recai ainda sobre a necessidade de formações continuadas não só para professores, como vimos nos posts anteriores, mas também para as equipes gestora e administrativa da rede e das escolas. Desse modo, percebe-se ainda mais forte a necessidade de desenvolvimento e implementação de políticas públicas eficientes e adequadas à realidade.

Os profissionais que compõem a equipe da secretaria precisam de habilidades e qualificações específicas, necessárias para gerir o cotidiano da organização a partir da perspectiva democrática, partilhando decisões, liderando ações e otimizando processos. Parte-se, portanto, de uma lógica de homologia de processos, em que a partir da formação de gestores e administradores na rede, passando por gestores das escolas e professores, trabalhamos para um impacto direto na aprendizagem dos estudantes.

Contudo, é necessário que exista um plano de desenvolvimento que envolva tanto conhecimento técnico quanto socioemocional para esses profissionais. Essa percepção é especialmente importante quando consideramos que nem sempre eles são preparados com tais habilidades na universidade (em sua maioria de pedagogia ou licenciaturas diversas), cabendo, portanto, às secretarias proporcionarem esses momentos de formação continuada em serviço.

É importante que cursos e oficinas sejam direcionados para temas específicos como: ferramentas que tratem do uso dos bancos de dados e processos, inovações tecnológicas com potencial para serem implementadas, softwares que auxiliem a gestão e sejam voltados para a otimização do tempo e qualidade dos processos existentes no ambiente escolar e da secretaria, além de comunicação e relacionamentos interpessoais.

Pensando nos gestores escolares, uma alternativa interessante é criar uma equipe de formadores da própria secretaria de educação para trabalhar junto a eles. Assim, os funcionários que já atuam na rede estarão também se atualizando e serão os responsáveis pelas formações dos gestores e equipe administrativa das escolas, seguindo a lógica da cascata que falamos da homologia de processos. É importante nesse processo elaborar um cronograma com os temas e possíveis datas para realização de formações, respeitando as jornadas de trabalho ao mesmo tempo que considerando a necessidade de se evitar uma sobrecarga dos envolvidos. Se possível, envolva os educadores da rede nessas decisões! Uma maneira simples de ter suas impressões e opiniões ouvidas é por meio de um formulário.

Qualificar esses profissionais de educação é não somente instrumentalizá-los quanto aos aspectos técnicos e pedagógicos da gestão escolar, mas relaciona-se a um projeto maior de fomentar a ampliação do entendimento escolar no Brasil, que implica em transformar todos os processos que objetivam a qualidade de ensino na escola pública brasileira. Do mesmo modo que com a equipe da secretaria, para os gestores escolares é importante trabalhar questões práticas do dia a dia, buscando otimizar e melhorar a experiência diária. Alguns dos tópicos principais são a comunicação, a gestão de conflitos, a cultura organizacional e as rotinas de trabalho.

Apesar das muitas qualificações que encontramos nas pessoas que compõem as equipes escolares, muitas vezes é importante reforçar princípios tidos como “dados” para que todos estejam unidos em um mesmo objetivo. Reforçar valores como a cooperação, gestão democrática e o respeito em ações cotidianas é fundamental. É trabalhando primeiro em nós que podemos ensinar nossos alunos sobre princípios básicos de convivência!

A Curiós tem soluções voltadas para o dia a dia e os desafios dos educadores. Quer saber como podemos te ajudar? Entre em contato!

Referências:

Plano Nacional de Educação – Lei nº 13.005/2014. Disponível em: http://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014

Eduardo Almeida Batista, Maria Alexandra Rodrigues Alves, Gabriel da Silva Yamaguchi, e Hudinilson Kendy de Lima Yamaguchi. “Processo de Capacitação: Formação Continuada dos Técnicos Administrativos em Educação do IFAM campus Coari”. Dezembro de 2019. Disponível em: http://aprepro.org.br/conbrepro/2019/anais/arquivos/10152019_231012_5da67f8889ced.pdf

Mary Natsue Ogawa e Sirley Terezinha Filipak. “A Formação do Gestor Escolar”. Setembro de 2013. Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2013/8010_7046.pdf

Darliana Sidicléa França. “Formação de Gestores: um processo complexo e desafiador”. Novembro de 2013. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/511/Franca_Darliana_Sidiclea.pdf?sequence=1

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!