Plano de retomada e outras reflexões importantes para a volta às aulas

Dicas para pensar um plano de retomada que faça sentido

Como e quando ocorrerá o retorno presencial tem sido um tema muito discutido atualmente entre os gestores de escola. Primeiramente, é muito importante que a gestão tenha ciência que não só os alunos, mas também a equipe escolar estará passando por momentos de mudança e adaptação com o retorno. Considerando que devem estar bem para dar o suporte necessário aos alunos, é importante, antes de traçar um plano de retomada para os alunos, conversar com a equipe e estruturar combinados e estratégias para que todos se sintam confortáveis e seguros no ambiente escolar.

Na elaboração dos acordos e do plano de ação, além das questões de segurança “física”, é muito importante atentar também ao emocional. Diante disso, é interessante que haja um contato com os professores de maneira mais individual, para acompanhar como estão com as mudanças, quais suas impressões e sentimentos.

Em segundo lugar, pensando agora no aluno e no seu aprendizado, sugerimos a elaboração de um plano de retomada das aulas 2020/21. Esse plano deve, idealmente, ser elaborado conjuntamente com equipe escolar, alunos e familiares. Dessa forma, garantimos que todos estão contemplados.

O plano deve ter como prioridade a segurança e o bem estar de todos, e deve levar em consideração a readaptação do estudante ao ambiente escolar, que, provavelmente, estará fisicamente diferente e com regras mais restritas. Diante disso, pensar em estratégias para criar um clima escolar positivo é muito importante, assim como maneiras do aluno se sentir valorizado, motivado e pertencente, mesmo seguindo as normas de distanciamento.

Ademais, caso a escola opte por um modelo híbrido de ensino, o plano de ação deve propor ações para questões como a garantia da equidade entre quem está remoto e quem está presencial, levando em consideração aos diferentes níveis e formas de aprendizado dos estudantes. Pensando no senso de comunidade, que será ainda mais importante com o retorno, é importante idealizar estratégias para manter essa sensação de pertencimento entre os que estão na escola e os que estão acompanhando de casa.

Por fim, durante a criação do plano, é muito importante atentar aos alunos que já eram mais vulneráveis (social, física ou emocionalmente), pois eles apresentam não apenas mais chances de terem defasagem devido ao período remoto, como também de terem uma crise pós traumática.

Diante disso, é necessário pensar em maneiras de identificar quais são as principais dificuldades dos alunos (com enfoque aos mais vulneráveis) para estruturar propostas de intervenção. Essa busca pode ser realizada de diversas formas: para questões pedagógicas, por exemplo, pode ser realizado um teste de nivelamento ao retorno, já para questões emocionais e físicas, é interessante uma conversa individual com os alunos. Nesse momento, contar com o auxílio de um especialista pode ser muito positivo.

A proposta de elaborar um plano de retomada de maneira conjunta tem como finalidade garantir que todos fiquem cientes dos combinados e que a gestão consiga guiar esse retorno com clareza e apoio da equipe, alunos e responsáveis. Caso optem por não criar um plano necessariamente, sugerimos que pelo menos os pontos aqui levantados sirvam para reflexão e sejam levados em consideração na proposta do retorno presencial, de modo a garantir essa transição ocorra de forma mais tranquila.

Sua escola já tem previsão de retorno? Como a comunidade escolar tem lidado com isso? Mande uma mensagem pra gente! Vamos adorar te ouvir e te apoiar nos seus desafios.

Referências:

Crawford, A., Currie, L-A., Hannah, B., Ward, J., & Wooton, I. (2020, Jun 22). Compassionate transitions: Reconnecting school communities post-Covid-19 closures. British Psychological Society.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!