Como a gestão escolar pode contribuir para o desenvolvimento do professor?

Estabelecimento de metas e preocupação com o bem-estar andam juntos na busca pelo desenvolvimento do professor

Não há dúvidas quanto à importância da formação continuada e o desenvolvimento do professor. Com a dinamicidade da sala de aula, o docente deve estar sempre buscando se aprofundar nas novas metodologias e conceitos. Mas o desenvolvimento não deve ser apenas na teoria, sendo importante estimular a busca por melhorias na prática do dia a dia. Pensando nisso, como a gestão escolar pode colaborar para a potencialização do seu corpo docente?

Para começar, é importante destacar que o incentivo para mudanças na prática do professor é uma interação entre o seu próprio desejo de transformação, as características organizacionais e da gestão. Dessa forma, além do interesse do docente, a coordenação e a direção precisam fornecer oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem, que devem se ajustar às necessidades e realidade escolar. Para isso, é importante que a gestão levante junto com os professores quais temáticas eles desejam trabalhar, e, no caso de não dominarem o assunto selecionado, busquem apoio externo.

Em relação ao ambiente escolar, por sua vez, é essencial que ele seja acolhedor e estimule o desenvolvimento. Para isso, ter uma visão escolar compartilhada, em que o docente se sinta parte e responsável por alcançá-la é muito importante, pois o estimula a se aprimorar – não por uma obrigação, mas por se sentir pertencente. Ademais, possuir o costume de colaboração entre os professores, no qual eles se vejam como aliados que podem contribuir para o crescimento e melhoria da qualidade da aula uns dos outros, é essencial.

É importante ressaltar que existência dessas premissas na cultura escolar também depende da gestão.

Por fim, é essencial que a coordenação e a direção sejam capazes de fornecer aos docentes retornos construtivos a respeito das suas práticas. A gestão deve ter uma boa comunicação com o professor, através da qual consiga transmitir de maneira clara ao docente os pontos de destaque e de melhoria de maneira polida e educada. Para tal, um conceito bem interessante é o da Empatia Assertiva, termo criado pela Kim Scott, que sugere que os gestores precisam sim apontar sem melindres o que deve ser melhorado, porém sempre se preocupando com a forma pela qual irá passar a informação. Um exemplo fornecido pela autora é o de avisar a alguém que está com o zíper aberto para fechá-lo, mas, ao invés de gritar, chamando-a no canto para contar.

Por fim, os gestores, para colaborar ao desenvolvimento dos seus docentes, devem tanto se preocupar com dados – nível de desempenho dos alunos, alcance das metas e objetivos estabelecidos para o ano – como também ter um olhar humanizado para sua equipe, buscando trabalhar de maneira colaborativa, estimulando-os a opinarem e tomarem decisões, instigando suas motivações e se preocupando com seu bem estar.

Quer continuar pensando sobre esse assunto? Confira esse outro texto com 3 passos para promover a formação continuada na sua escola e entre em contato com a gente! Podemos ajudar a tornar suas ideias em realidade 🙂

Referências:

Melissa Tuytens & Geert Devos (2017) The role of feedback from the school leader during teacher evaluation for teacher and school improvement, Teachers and Teaching, 23:1, 6-24, DOI: 10.1080/13540602.2016.1203770

Scott, Kim. Empatia Assertiva: Como ser um líder incisivo sem perder a humanidade. Radical Candor, 2019. 328 p.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!