Projetos educacionais: do PPP à prática cotidiana

É possível engajar a comunidade desengavetando o PPP?

Por Juliana Ferro

Se você acompanha a gente aqui no blog, já percebeu que planejamento tem tudo a ver com educação (O que faz um bom professor?, Como criar uma cultura colaborativa, Relatos de uma professora). E talvez essa seja a chave para o funcionamento da aplicação dos projetos educacionais como prática recorrente na sala de aula.

Parece que eu já entreguei a resposta, mas calma, precisamos entender melhor o que isso significa. Vale ressaltar também que em educação não existe receita de bolo, nosso objetivo aqui é contribuir com a sua prática. Primeiro vamos entender/relembrar o que é PPP e o que é projeto.

O famoso e quase temido Projeto político pedagógico é um documento norteador e também histórico das instituições de ensino. Histórico porque ele também tem a função de manter o legado da escola vivo, sua construção, suas vitórias e os marcos que fizeram chegar até aqui. A função mais conhecida é a de norteadora, ou seja, onde é registrado os vieses que direcionam as práticas escolares da instituição, suas filosofias, seus objetivos e os projetos a serem trabalhados.

O conceito de projeto, segundo Maximiano e Veroneze (2022) é um “empreendimento temporário realizado para criar um produto, serviço ou resultado”, podendo ser entendido como “uma série de atividades com algum planejamento entre elas”. Existe também o entendimento de projeto como “lançar a frente”. Gosto de pensar em projeto como um esforço com prazo determinado em prol de um objetivo, a fim de alcançar o desenvolvimento da instituição. Nesse caso específico, desenvolvendo os estudantes e a comunidade.

Os projetos da escola que entram no PPP são justamente projetos que surgem de uma necessidade da escola, e precisam ter objetivos claros e etapas de aplicação planejadas. Os projetos educacionais que surgem da necessidade da comunidade possuem maiores chances de engajamento. 

É sabido que quando participamos da criação de algo, nosso envolvimento com o funcionamento, aplicação ou até mesmo o respeito a essa nova criação é visto de forma diferente. Um grande exemplo disso, são os combinados que fazemos com os estudantes no início de ciclo, as propostas vindas deles são mais efetivamente cumpridas e fiscalizadas.

A relação entre o projeto político pedagógico e os projetos educacionais se dá quando entendemos o PPP como um norteador de práticas e os projetos como ferramentas para o alcance de objetivos educacionais previamente construídos. A importância de se ter documentado esse processo é o de garantir a continuidade do projeto mesmo com a rotatividade de funcionários, por exemplo.

E para tornar a ideia de projeto, para além de metodologia mais evidente, vou trazer alguns exemplos.

Na escola em que trabalho atendemos muitos estudantes com surdez, partindo da comunidade a necessidade de um projeto de libras, em que um professor da escola e um funcionário de serviços gerais ministram as aulas para estudantes e funcionários interessados no assunto. Esse é um projeto que vai entrar no PPP para garantir que se torne uma prática nos próximos anos.

Outro exemplo, são as hortas comunitárias, em que os próprios estudantes filhos de agricultores ministram as oficinas e guiam o cuidado das hortaliças que serão utilizadas na merenda e/ou distribuídas na comunidade. Projetos educacionais que estimulem a leitura e escrita visando o desenvolvimento socioemocional, expandindo para momentos abertos à comunidade.

Temos também exemplos de projetos divulgados pelo Itaú Social envolvendo educação indigena, cinema e iniciativas para a promoção da cidadania. Ressalto aqui que todos esses exemplos são indicações. Reforço que para que a comunidade engaje nos projetos educacionais é preciso trazê-la para a construção.

Bom, o planejamento que falei no início do texto é primordial para que a escuta das necessidades da comunidade seja feita, que atitudes sejam tomadas a respeito desse diagnóstico e que a comunidade seja convidada a participar das soluções propostas. Desse modo, acredito que consigamos traçar aos poucos o que é educação de qualidade para cada comunidade.

Me diz aí, você acha que é possível engajar a comunidade desengavetando o PPP e trazendo para sala de aula? Mande seu comentário pra gente! Vamos adorar te ouvir 🙂

Referências:

MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru; VERONEZE, Fernando. Gestão de projetos: preditiva, ágil e estratégica. 6 ed. Barueri – SP: Atlas, 2022.

FUNDAÇÃO ITAÚ SOCIAL. Homepage institucional. Disponível em: https://www.itausocial.org.br/divulgacao/central-de-pesquisas/. Acesso em 03 nov 2022. 

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!