Professor conectado

Um professor verdadeiramente conectado equilibra conexão pessoal e virtual

Por Jaqueline Novoletti

A educação na pandemia limitou a conexão entre docentes e discentes exclusivamente de forma virtual, fazendo com que, dentre outros motivos, ansiássemos pelo retorno presencial. “Ah, então a conexão cara-a-cara substituiu a rotina nas telas?!” Eu conto ou vocês contam? Não substituiu. Agora temos duas demandas: estar disponível presencialmente e online – muitas vezes respondendo mensagens e ligações de estudantes e responsáveis. 

É possível ser um professor conectado e alcançar um equilíbrio? (ou pelo menos chegar o mais perto disso possível?) Veremos!

1. Estabeleça limites e mantenha sua privacidade

Para além da discussão se professores devem ou não compartilhar o número de telefone com estudantes e familiares, sabemos que muitos de nós acabamos cedendo nossos contatos, considerando o contexto de ensino remoto que vivemos recentemente.

Diante do fato já consumado, ainda é possível tomar medidas mitigadoras: opte por uma conta à parte, que separe suas conversas pessoais e profissionais. Além disso, estabeleça limites: responda dentro do horário comercial, em dias úteis, exclusivamente sobre questões pedagógicas.

Solange Petrosino ainda adverte: “Quando o professor compartilha seu número de telefone com seu aluno ou com o responsável por ele, qualquer conversa tem caráter corporativo e está sujeita a questões jurídicas existentes entre a escola e o consumidor, relacionadas ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e todas violações de privacidade de direitos ou de ofensas”

Quanto às redes sociais, sabemos que adolescentes e jovens sempre acabam descobrindo nossas redes. Para aqueles docentes que tendem a sucumbir às solicitações, a dica é criar um perfil exclusivamente profissional. Com isso você inclusive pode registrar suas práticas docentes e mantê-las num perfil próprio que pode ser divulgado. Atenção para os termos de uso de imagem: fotografias de menores de idade só podem ser divulgadas com autorização expressa dos responsáveis e mesmo a utilização autorizada é exclusiva da escola. Compartilhar fotos em redes sociais não é indicado. Leia mais aqui.

2. Em sala de aula, esteja disponível (e não necessariamente online!)

Manter os estudantes focados e longe das telas durante as aulas é tão importante quanto desafiador. E, para tanto, docentes precisam estar atentos para não estimular o uso dos aparelhos eletrônicos em sala de aula ainda que inconscientemente: evite se valer do celular enquanto estiver lecionando e, se caso precisar fazer o uso para algum fim pedagógico – lista de presença, ou gamificação por exemplo – deixe claro para a turma o motivo pelo qual está usando o aparelho.
Também esclareça que a sala de aula é o ambiente principal para as interações entre professores e estudantes. Mensagens instantâneas servem para sanar dúvidas pontuais, enviar recados importantes e atividades. Lembra do que falamos no tópico anterior sobre os limites de horário e conteúdo? Verbalize-os para que os estudantes estejam cientes de que não obterão resposta para uma pergunta enviada às 23h do sábado à noite. 

Por fim, sabemos que as demandas psicológicas dos estudantes foram potencializadas durante a pandemia e depois dela. É importante escutar ativamente, mas, sobretudo, saber direcionar tais demandas sem sobrecarregar-se pessoalmente.

3. Fora da sala de aula, use as telas com moderação

Muitos dos trabalhos que aprendemos a fazer nas telas durante a pandemia permaneceu em nossa rotina, seja por uma adequação, seja porque descobrimos novas formas de planejar e replanejar utilizando as tecnologias digitais.
Por isso, é importante lembrarmos das lições já amplamente trazidas no contexto do trabalho remoto: cuide da postura, estabeleça prioridades e respeite os limites de horário, além de, é claro, não descuidar da saúde e do lazer. Inclusive, já falamos sobre esse tema aqui no blog:

Fazer coisas que gosta é muito importante. Afinal, um bom professor conectado deve saber que a conexão de uma mente e um corpo saudáveis é primordial para disponibilizar-se em sala de aula.

4. Conclusão: um professor conectado também sabe desconectar

O contexto remoto nos apresentou outro tipo de conexão, muitas vezes mais prática e rápida e, ao mesmo tempo, mostrou o quão insubstituível é a conexão pessoal.

Mostrar-se verdadeiramente disponível para os estudantes também é fazê-los compreender os limites da relação entre professores e estudantes, tanto presencial, quanto virtualmente. E que o tempo em sala de aula deve ser aproveitado com qualidade.
Um professor conectado também sabe desconectar e, quando demonstra isso aos estudantes, ajuda-os a entender a necessidade do tempo longe das telas e que conexões verdadeiramente saudáveis também tem seu tempo offline. Quer ajuda no processo de “internalizar” essa ideia? Mande uma mensagem pra gente! Vamos adorar te ouvir e apoiar 🙂

Referências: 

Bernardo, André. Professor no trabalho remoto: 11 dicas para organizar o home office para a volta às aulas. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/20093/professor-no-trabalho-remoto-11-dicas-para-organizar-o-home-office-para-a-volta-as-aulas 

Oliveira, Danielly. O professor deve compartilhar o número de telefone com pais e alunos? Disponível em: https://desafiosdaeducacao.com.br/professor-compartilhar-numero-telefone/ 

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!