Como a gestão escolar pode se envolver com a educação especial?

Traçando caminhos para pensar a educação especial antes de chegar à sala de aula – Por Juliana Ferro

Esse ano fiz uma coisa pela primeira vez: fui ledora no Enem. Aprendi muitas coisas desde o processo de preparação até o momento de aplicação da prova. Uma delas foi refletir que, apesar dos passos lentos, temos aumentado a inserção de estudantes com alguma deficiência a terem acesso ao ensino médio e a se prepararem para ingressar na universidade. Essa reflexão se deu ao observar os números de assistência disponibilizados esse ano, que foi de 38.101 pedidos de atendimento especializado aprovados, e 70.411 recursos de acessibilidade.

Conforme divulgado pelo INEP (2023):

Tempo adicional foi o recurso mais requerido pelos participantes, com 18.173 solicitações aprovadas. Em seguida, estão o auxílio para leitura, com 10.271 pedidos, a correção diferenciada, com 8.703; o auxílio para transcrição, com 7.507; e a sala de fácil acesso, com 6.449 pedidos. Já entre os atendimentos especializados, as solicitações de pessoas com déficit de atenção alcançaram o maior número de pedidos aprovados, com 13.686, seguido pelo número de inscritos com baixa visão, que totalizaram 6.504.

Pensando no avanço que esses números representam, é preciso considerar também que houveram mudanças em como é feito esse acompanhamento na educação básica, considerando que a entrada no ensino superior requer o ensino básico concluído.

A partir disso, somos automaticamente levados à pensar na sala de aula, passamos de um acontecimento macro, como uma avaliação em nível nacional, diretamente para os bancos do fundamental. No entanto, seguir esses passos seria pular etapas e acabar tratando de algo que já conversamos com alguma frequência: o trabalho do professor.

Só que, dessa vez, quero trazer a conversa para um passo antes de passar pela porta da sala, pensando na entrada da escola. Bem, é lá que começa a atuação efetiva da equipe de gestão e é lá também que acontece a primeira impressão que os estudantes têm sobre aquele espaço e a equipe que irá recebê-los.

Podemos começar refletindo sobre a estrutura dessa escola, que é um ponto de atenção se tratando da oferta de educação especial. Um olhar sensível para como os estudantes com deficiência acessam a escola é uma forma de acolhê-los e mostrar a escola como um lugar receptivo às suas particularidades.

Outra forma de atuação da equipe de gestão é pensar em cartazes e rodas de conversas com a temática de inclusão, que podem ir além da educação especial também. Algumas escolas que acompanhei adotaram o “não vamos falar sobre”, como se isso fosse contribuir para uma organicidade da escola, como se a escola fosse se autorregular sem intervenção. Isso pode até acontecer, mas sem uma orientação e espaços de troca sobre diversos assuntos, os estudantes ficam suscetíveis a reproduzir comportamentos que retroalimentam ciclos de preconceitos e violências.

A equipe de gestão é parte fundamental para facilitar medidas de integração e funcionamento adequado para que a educação especial represente ganhos na vida dos estudantes com deficiência. Faz parte de suas competências exigir melhores condições de atendimento, participar de editais para ganho de recursos específicos para a educação especial, entre outros. Se manter atualizado sobre as leis que garantem assistência aos estudantes com deficiência, tanto para fazer o que lhe compete, quanto para orientar os responsáveis, é também outro comportamento fundamental à gestão.

Luz (2018) acrescenta também que as discussões sobre gestão democrática e a própria elaboração do projeto político pedagógico estão intimamente ligadas à ideia de uma escola inclusiva, como também o acompanhamento e diálogo com os professores para garantir práticas que aproximem os estudantes com deficiência, oferecendo-os educação de qualidade.

A garantia do funcionamento da educação especial dentro das escolas passa por muitos agentes, até chegar na figura do professor, e é preciso que todos os envolvidos façam o que lhe compete para que, ao entrar na sala de aula, esses estudantes estejam com seu aprendizado assegurado porque toda a assistência devida já lhe é oferecida. 

Pensou em outras práticas cotidianas que assegurem o acesso à educação especial? Escreve para gente.

Separamos outros textos sobre essa temática que você vai gostar de ler: Por uma educação especial inclusiva; Você realmente sabe o que é educação inclusiva? 

Referências:

Enem 2023: Inep garante recursos de acessibilidade. INEP. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/assuntos/noticias/enem/enem-2023-inep-garante-recursos-de-acessibilidade. Acesso em:28/11/2023

LUZ, Rosângela Maria Nunes da. Gestão escolar na perspectiva da educação inclusiva. 2018.

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