Inovação tecnológica na sala de aula:

trabalhando na construção de uma educação mais dinâmica, por Lucas Kauan de Santana

O avanço tecnológico nos últimos anos tem sido marcado não apenas pelo desenvolvimento de tecnologias mais robustas, práticas ou sofisticadas, mas principalmente pela ampliação do acesso entre diferentes grupos e setores. A inovação tecnologia na formação docente, é o primeiro passo, para que assim, a inovação no âmbito educacional ocorra de forma consciente e fundamentada em estratégias que transformem, de fato, o processo de ensino-aprendizagem. 

A utilização de ferramentas gratuitas na resolução de problemas da comunidade escolar ou construção de iniciativas pedagógicas, surge, então, como uma forma de promover o desenvolvimento de  habilidades necessárias na era da informação. 

Mas como podemos implementar a tecnologia dentro da sala de aula, considerando a diversidade de contextos existentes no nosso país? Neste artigo, abordamos potenciais ações que podem ser utilizadas, assim como os principais desafios na implementação desses recursos.

Inovação tecnológica na educação

O movimento de inovação tecnológica no setor educacional tem proporcionado a redefinição do papel do professor, ampliando o acesso ao conhecimento e aproximando a escola da realidade digital dos estudantes. Através da tecnologia é possível promover o protagonismo juvenil e estimular a criatividade, sendo atribuído à maior personalização das aulas de acordo com as habilidades fundamentais para o século XXI. 

Por exemplo, ao utilizar ferramentas gratuitas como PHET, PlayLab e Google/Zoom Earth seja para criar simulações em laboratórios virtuais no ensino de ciências, elaborar ferramentas de inteligência artificial para criação de aulas reversas, ou simplesmente utilizar o georreferenciamento na análise de território, os professores acabam tornando as suas aulas mais interativas e conectadas às linguagens do meio digital.

Os principais desafios no caminho para a inovação tecnológica

Apesar das muitas vantagens, a integração tecnológica na formação de professores ainda enfrenta obstáculos, sendo tal fato atribuído aos diferentes contextos socioeconômicos do país, onde territórios periféricos, tradicionais e rurais são os principais afetados. 

O período da pandemia Sars-Covid acabou por atenuar ainda mais essas desigualdades, onde mais de 5 milhões de crianças e adolescentes estavam sem acesso à educação no Brasil, sendo 60% entre a faixa etária de 11 a 17 anos. 

 Assim, a ausência de equidade na educação acabou sendo evidenciada, principalmente no acesso à tecnologia nas escolas públicas, onde diante do contexto de aulas remotas, observou-se altos índices de abandono dos estudos.

Observa-se ainda certa resistência de educadores na implementação de ferramentas digitais, ao passo que tal fato pode estar associado à falta de familiaridade, pouco repertório ou apego às metodologias tradicionais.  Isso pode ser atribuído ao pouco preparo que a formação inicial proporciona quanto ao uso pedagógico das tecnologias. 

Como resultado, acaba-se criando um distanciamento entre as demandas da sala de aula atual e o potencial de integração dos recursos tecnológicos no processo de ensino-aprendizagem.

 Será que a falta de recursos avançados ainda pode ser utilizada para justificar a falta de implementação de tecnologia da educação pública? Saiba mais neste artigo.

Formas de integrar a inovação tecnológica na sala de aula

  • Pense simples, comece pequeno: Escolha uma ferramenta ou recurso digital simples e gratuito, para isso, as possibilidades são diversas. 
  •  Busque desenvolver seu repertório: Diante de uma sociedade cada vez mais tecnológica, é importante, desse modo, aprimorar os conhecimentos e ferramentas mobilizados. Busque cursos online gratuitos ou oficinas sobre tecnologias educacionais, participe de espaços que discutam essa temática. Plataformas como o YouTube, Coursera e Google for Education têm opções acessíveis.
  • Planeje aulas implementando tecnologia: Introduza recursos digitais como apoio às suas aulas, sem transformar a tecnologia no pilar central — em suma ela é uma ferramenta, não o objetivo final. Uma opção, por exemplo, é criar um chatbot de IA personalizado com o conteúdo através da plataforma PlayLab, possibilitando aulas reversas, resultando em um processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico.
  • Compartilhe experiências e perspectivas: Busque ter momentos de troca com colegas e pessoas da área. Grupos de estudo e comunidades de prática, por exemplo, ajudam a superar dificuldades e a descobrir novas possibilidades.
  • Monitore e recalcule a rota quando necessário: Após aplicar uma tecnologia em sala, reflita sobre o que funcionou e o que pode melhorar. É através da análise que a prática leva à inovação consciente e constante.

Conheça também habilidades necessárias que podem ser desenvolvidas para gerar inovação na educação.

Inovação tecnológica: exemplo na prática

Um dos maiores desafios no âmbito educacional ainda é o ensino contextualizado, principalmente em disciplinas como ciências, geografia e matemática. Deste modo, utilizar laboratórios e ferramentas virtuais como o PHET Colorado ou Play Lab pode ser uma alternativa. Adicionalmente, recursos como o Zoom e Google Earth podem ser implementados. .

Criar podcasts ou jornais escolares em grupo para discutir obras literárias​, utilizar os conhecimentos e trazer a perspectiva dos alunos, ou até mesmo propor discussões. Uma recomendação de programas gratuitos e simples são o Reaper (gravação e edição sonora) e plataformas como o Prezi (para a criação de um jornal eletrônico escolar, por exemplo).

Uma outra possibilidade interessante é o Kahoot, onde podem ser criadas diversas formas interativas de avaliação. Pequenas ações como essas, portanto, já fazem a diferença na construção de um ensino mais engajador, dinâmico e significativo.

A inovação tecnológica, uma aliada no ensino contemporâneo

A inovação tecnológica é uma aliada poderosa na formação de professores que querem preparar seus alunos para o mundo contemporâneo. Em conclusão, mais do que dominar ferramentas, trata-se de pensar novas formas de ensinar, aprender e se conectar com os estudantes​​. E você, já pensou em qual inovação tecnológica levar para a sua prática educativa?


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Referências

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!