A importância dos sentidos nas metodologias de ensino

Como as diferentes metodologias de ensino podem impactar os alunos na sala de aula – por Débora Chaves

Quando você estava na escola, tinha aquele amigo que aprendia muito mais rápido que você?

Eu tinha. Nunca fui daquelas alunas que aprendiam com facilidade, tinha que estudar bastante para acompanhar as aulas e passar nas provas. Mas tinha a Ana. A Ana era minha amiga de longa data, estudamos juntas desde os anos iniciais do Fundamental, e, mesmo quando já estávamos no Ensino Médio, eu ainda ficava chocada com a rapidez com que ela entendia os conteúdos.

Ela costumava viajar bastante com a família. Quando isso acontecia, perdia algumas aulas e eu me dispunha a ajudá-la a recuperar o que tinha perdido. Era ótimo pra mim, já que via nessa ajuda também uma oportunidade de reforçar o que tinha estudado. A minha surpresa vinha depois: nas provas, era muito comum que ela conseguisse notas mais altas que as minhas!

Confesso que ficava um pouco “indignada”. Como era possível alguém aprender tão bem e tão rápido assim? Agora, estudando um pouco mais sobre educação, vejo um pouco da razão para isso acontecer.

Primeiro, talvez ela seja uma típica “dente de leão”, que falei nesse outro artigo. Assim, a sua adaptabilidade e facilidade para aprender em diferentes contextos e com diferentes metodologias de ensino contribuem, e muito, para que ela consiga bons resultados.

Não sei se sou uma “orquídea”, mas com certeza eu e minha amiga tínhamos necessidades diferentes quando se tratava do nosso processo de aprendizagem.

Toda essa reflexão sobre o passado veio à minha mente durante a leitura de um texto da professora Laura DePriest no Edutopia. Ela conta sobre a sua experiência alfabetizando crianças. Enquanto algumas parecem aprender rapidamente com alguns cartões lúdicos e demonstrações dos sons, outras precisam de “algo a mais”.

Isso acontece porque cérebros diferentes são estimulados de formas diferentes, e Laura traz como alternativa para os educadores o uso de múltiplas metodologias de ensino que explorem os 5 sentidos para engajar todos os alunos na aprendizagem:

1. Visão: estímulos visuais podem capturar a atenção de alguns alunos da sua sala de aula. Isso pode se referir tanto à forma como o ambiente é organizado, às páginas dos livros e cadernos, elementos gráficos, entre outros.

2. Audição: estímulos sonoros podem se dar de formas simples, como por meio de música, leituras em voz alta, entre outros.

3. Tato: alunos são estimulados com trabalhos manuais. Eu, particularmente, vejo que esse tipo de atividade tem forte influência sobre o meu próprio processo de aprendizagem. Se escrevo, desenho, corto, colo, bordo, aquele aprendizado com certeza ficará comigo por muito mais tempo. Apesar disso, ao longo dos anos escolares, percebo que esse tipo de estímulo é cada vez mais escasso. Que tal, então, recuperar atividades manuais mesmo com alunos mais velhos? Quem sabe assim aquele aluno que tem mais dificuldade não encontre o seu melhor estilo de aprender 🙂

Reconhecendo que esses três primeiros sentidos são mais facilmente incorporados na sala de aula, Laura traz ainda algumas reflexões sobre o olfato e o paladar e como podem ser utilizados em conjunto com os outros sentidos.

4. Olfato: um exemplo seria usar marcadores com cheiros para diferenciar diferentes trechos de um texto ou mesmo usar aromatizadores de ambiente para a sala.

5. Paladar: ninguém aprende de barriga vazia. São vários os estudos sobre isso, e é importante estar atento às necessidades fisiológicas dos seus alunos. No entanto, para além disso, cabe ter a criatividade para usar os alimentos na hora de ensinar, seja falando sobre unidades medidas ao seguir uma receita, para analisar os sons das palavras enquanto demonstra os ingredientes ou mesmo para explorar diferentes culturas Brasil afora apresentando alimentos típicos das regiões do país.

O interessante desses dois últimos sentidos é que eles naturalmente conferem à aula um “quê” de ludicidade, aumentando o engajamento dos alunos.

Minha amiga Ana era facilmente instigada à aprendizagem por meio da audição e da visão, enquanto eu precisava do tato. Como você enxerga isso na sua sala de aula? Que tal investir na utilização de múltiplas metodologias de ensino com a sua turma?

Depois conta pra gente o resultado 🙂

Referências:

Edutopia, por Laura DePriest. “How Multisensory Activities Enhance Reading Skills”. Junho de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/how-multisensory-activities-enhance-reading-skills 

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