O que faz um bom aluno?

Fatores educacionais para o desenvolvimento de um bom aluno – Parte I

Em um estudo feito pela OCDE¹ com base nos dados do Pisa², foi observado que a mentalidade dos estudantes é um ponto central para o desempenho dos alunos. Características motivacionais e de autoconfiança se mostraram ser a mais importante variável em quase todas as regiões analisadas, tendo duas vezes mais o efeito das condições socioeconômicas, fator tradicionalmente considerado o principal determinante de desempenho dos alunos.

No estudo, diversas mentalidades apareceram como altamente preditivas de desempenho, ou seja, se o aluno exibe um comportamento alinhado com essa mentalidade, sua probabilidade de ter um alto desempenho aumenta. No topo da lista dessas mentalidades está o que chamamos de “Calibração da motivação”. Um aluno com motivação bem calibrada é aquele que tem a habilidade de identificar o que o motiva no dia-a-dia, o que inclui se preparar para as aulas, se esforçar mais do que o esperado, ou trabalhar com perfeição.

Ter sua motivação bem calibrada faz toda a diferença para os alunos! O estudo mostra que os 25% de alunos mais pobres de escolas de baixo desempenho, mas com motivação bem calibrada, têm um desempenho melhor do que os 25% mais ricos, mas com motivação mal calibrada, de escolas de alto desempenho. A mentalidade importa, e muito.

Ainda assim, apesar de ter perdido o primeiro lugar no pódio, a condição socioeconômica continua sendo muito importante e não pode ser desconsiderada na formulação de políticas públicas. Alunos de classes sociais mais baixas não são apresentados às mesmas oportunidades que os alunos de elite e, portanto, têm desvantagem em seu ponto de partida.

Mas enquanto não conseguimos incluir políticas públicas que incentivem uma motivação calibrada, isso torna o trabalho no professor na sala de aula ainda mais importante. Cultivar uma boa mentalidade para aqueles com poucos recursos pode contribuir para a redução da sua desvantagem em relação a alunos mais privilegiados, sendo a intervenção chave para garantir mais oportunidades e, no longo prazo, reduzir as desigualdades.

Para ler a parte dois dessa reflexão, clique aqui! 🙂

E se quiser conversar com a gente sobre possibilidades de melhorias para a educação da sua rede, entre em contato!


¹Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico

²Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!