O que faz uma boa aula?

Fatores educacionais para uma boa aula – Parte II

Em um estudo feito pela OCDE¹ com base nos dados do Pisa², foi observado que uma combinação entre instrução dirigida e ensino baseado em inquérito é a maneira mais eficaz de se atingir um bom desempenho estudantil. E é esse equilíbrio que precisamos buscar!

A instrução dirigida consiste em aulas expositivas nas quais os educadores possuem maior controle sobre a aula, guiando e direcionando as discussões. É o modelo tradicional, que estamos mais acostumados. Já o ensino baseado em inquérito ocorre quando os alunos possuem maior autonomia na dinâmica da sala, sendo responsáveis pelo seu próprio processo de aprendizagem.

Um alto nível de ensino baseado em inquérito sem uma base suficiente de instrução dirigida geralmente resulta em baixo desempenho dos alunos. Isso pode ocorrer devido a uma falta de base de conhecimento vinda da instrução dirigida ou pelo ensino baseado em inquérito ser mais desafiador para os professores (e para os alunos!). Porém, quando se trata do uso de tecnologias na sala de aula, o melhor caminho é a instrução dirigida. Assim, é melhor haver um projetor na sala que o professor manuseia do que diversos laptops ou tablets para todos os alunos.

Em países desenvolvidos, estimular experimentos e permitir que os alunos tirem suas conclusões é significativamente positivo para seu aprendizado. Em países menos desenvolvidos, isso é insignificante, talvez devido à falta de recursos e supervisão dos professores. Por esse motivo, é essencial dar suporte aos docentes, focando em prepará-los e instrumentá-los com planos de aulas e formação de qualidade, antes de adotar o ensino baseado em inquérito.

Os resultados mostram que o ensino baseado em inquérito é muito bem recebido pelos alunos, o que pode levar à sua adoção precipitada. No entanto, para melhores resultados, o ideal é ter foco em uma abordagem mais assertiva para solidificar o conhecimento da turma, para então eles se beneficiarem do ensino baseado em inquérito. Escolas com pior desempenho devem cuidar ainda mais para garantir uma base sólida de seus professores e alunos antes de abrir espaço para metodologias menos tradicionais.

Para ler a primeira parte desse post e ter mais reflexões sobre o que faz um bom aluno, clique aqui 🙂

Ah, e se quiser conversar com a gente sobre possibilidades de melhorias para a educação da sua rede, com metodologias inovadoras para a sala de aula e a secretaria, entre em contato!


¹Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico

²Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!