Rotação por estações em uma Aula de Química

Aplicação da metodologia ativa de rotação por estações para verificação da aprendizagem

Por Danielle Fonseca

A verificação é uma parte essencial do processo de ensino-aprendizagem. Porém, podemos acabar limitando esse momento a avaliações formais de maneira individual. As metodologias ativas são ótimas alternativas para momentos de verificação de aprendizagem diferenciados.

Uma metodologia ativa simples de ser adaptada para cada realidade escolar é a rotação por estações. A rotação por estações é uma metodologia do ensino híbrido. É um circuito dentro da sala de aula, em que cada uma das estações deve conter uma atividade diferente sobre o mesmo assunto, sendo elas independentes. Os estudantes são separados em pequenos grupos e devem passar por todas as estações. No contexto do ensino híbrido, é necessário o uso da tecnologia em pelo menos uma das atividades.

A rotação por estações era uma das minhas metodologias favoritas, porque permitia inúmeras possibilidades. Um exemplo foi a utilização dessa abordagem para a verificação de aprendizagem da disciplina de química, nos 1ºs anos do Ensino Médio.

Para evitar a perda de tempo no início da aula, tendo que organizar o espaço criando as estações, sempre quando eu utilizava essa metodologia, optava por locais alternativos dentro da escola. Poderia ser o pátio, que tinha várias mesas grandes, ou os laboratórios de ciência, que estavam vazios e tinham grandes bancadas. Antes das aulas, eu arrumava todas as estações, dividindo-as, colando as instruções de cada uma e deixando os materiais que precisariam ser utilizados. Caso não houvesse tempo para arrumar a sala entre as aulas, eu pedia para um colega professor fazer isso para mim, contando com o auxílio da comunidade.

Essa atividade tinha três estações. Todas tinham títulos que remetiam ao conteúdo e um texto explicativo, que contextualizava a atividade a ser feita com uma pequena história. As minhas turmas tinham bastantes estudantes, e eu preferia que eles trabalhassem em grupos pequenos. Por isso, fiz três réplicas das estações. No final, eram nove estações, sendo três estações de cada, e consequentemente, nove grupos na sala. As estações eram:

  • Estação 1 – pH das substâncias: nessa estação os estudantes tinham à disposição quatro copos, identificados de A até D, com um papel de uma cor específica dentro. A partir das informações contidas na tabela de pH, que estava nas instruções da estação, eles deveriam identificar, utilizando uma escala de cores do pH, quais seriam as substâncias em cada copo.

Nas imagens abaixo, na esquerda, temos a fotos dos copos com as cores e a escala de pH, que deveria ser utilizada para verificação. À direita temos a tabela com a qual eles deveriam comparar, para identificar as substâncias.

  • Estação 2 – Identificando as funções inorgânicas: nessa estação, estavam dispostos na bancada vários papéis com fórmulas de compostos inorgânicos e os estudantes deveriam escrever em uma tabela quais eram ácidos, bases, sais ou óxidos.

Na imagem abaixo, temos os papéis com as as fórmulas dos compostos, para que os estudantes identificassem.

  • Estação 3 – Conceito das funções inorgânicas: nessa estação, os estudantes tinham que relacionar os conceitos, com exemplos e a presença no dia-a-dia. Eles tinham à disposição várias fichinhas de papel. As fichinhas continham: os nomes das funções inorgânicas, exemplos de cada uma e a presença delas no nosso dia a dia. Os estudantes deveriam então colar as fichinhas em uma tabela (conforme modelo abaixo), fazendo a correspondência.

Fazer a verificação de aprendizagem utilizando metodologias mais diferenciadas traz diversos benefícios. O primeiro deles é o de é tirar o peso que uma prova ou teste tem. Os estudantes ainda ficam bastante ansiosos em momentos de avaliação mais tradicionais. Além disso, eles acabam se engajando mais na atividade por ser realizada fora da sala de aula e por eles precisarem se movimentar, de uma estação para outra, em um tempo determinado.

Minhas turmas de 1ºs anos, em muitos momentos, se sentiam inseguras em relação à disciplina e acabavam se tornando muito dependentes de mim para fazer as atividades. Isso acontecia por a química ser um componente tido como difícil, além de ser uma novidade para muitos deles, que não tiveram contato com ela no ensino fundamental.

Para exercitar a autonomia e por querer realmente verificar como estava a aprendizagem da turma, sem minha interferência, fiz um combinado para essa atividade. No início da atividade, eu li os roteiros junto com a turma, expliquei cada estação e tirei todas as dúvidas. A partir disso, o combinado foi: cada grupo só teria a oportunidade de me chamar uma vez para tirar dúvidas. Eles tinham à disposição todas as instruções necessárias e deveriam se apoiar no grupo. Aqueles que não utilizassem esse benefício, receberiam uma pontuação extra.

Essa estratégia foi muito importante, porque eu consegui passar em todos os grupos para verificar o andamento e entender como eles estavam resolvendo a atividade, quais eram as dúvidas que estavam sendo discutidas entre eles e o engajamento dos membros.

Apesar da rotação por estações prever o uso de tecnologias, é importante entender como podemos adaptar essas metodologias ao contexto da nossa escola e de cada turma. Nesse caso, eu utilizei apenas a ideia das estações em uma atividade que não havia a necessidade de uma ferramenta tecnológica.

E vocês, já utilizaram alguma vez a metodologia da rotação por estações? Como foi? Conta para a gente, vamos adorar saber mais!

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!