Aprendizagem significativa

A educação além da memorização – por Júnia Bicalho

Caros(as), colegas educadores(as). Se este título chamou a sua atenção é porque, assim como nós, você acredita que a educação vai muito além de memorização e transmissão de informações. Afinal, quem nunca esqueceu um conteúdo que foi apenas decorado para uma prova? Desejamos formar alunos que compreendam o mundo ao seu redor, sendo então críticos, engajados, autônomos e capazes de conectar o conhecimento com suas vidas. Parece um pouco complexo, certo? Mas vem comigo, que neste texto eu vou te contar um pouco mais sobre aprendizagem significativa e como promovê-la por meio de metodologias ativas em nossas salas de aula. 

Aprendizagem Significativa: o que é e por que importa?

Imagine um aluno diante de um quebra-cabeça. Ele observa as peças, tenta encaixá-las, erra, tenta de novo, até que, de repente, as peças se conectam e uma imagem conhecida surge completa. A aprendizagem significativa é como esse quebra-cabeça: o aluno relaciona o novo conhecimento com aquilo que ele já sabe, então vai construindo conexões que fazem sentido para ele.

David Ausubel, o pai da aprendizagem significativa, nos ensinou que aprender é construir pontes entre o novo e o velho, entre a informação e a experiência. Então, quando o aluno encontra sentido naquilo que aprende, o conhecimento se torna parte integrante de sua estrutura cognitiva, influenciando sua forma de pensar, agir e interagir com o mundo [1]. Quando isso acontece, portanto, o aprendizado deixa de ser mecânico e passa a ser realmente compreendido, facilitando sua aplicação prática ao longo da vida.

E as metodologias ativas?

As metodologias ativas são abordagens pedagógicas que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem. Ou seja, em vez de apenas ouvir passivamente, ele participa, investiga, experimenta e constrói seu próprio conhecimento. Isso pode ocorrer por meio de debates, estudos de caso, projetos colaborativos e até mesmo tecnologia educacional [2]. Você pode conhecer outros textos sobre metodologias ativas, aqui no nosso Blog.

Tá, mas como juntar tudo isso?

É aí que a mágica acontece! As metodologias ativas são o ingrediente que faltava para dar vida à aprendizagem significativa. Pois, elas criam um ambiente de aprendizado dinâmico e interativo, onde os alunos são incentivados a colocar a “mão na massa”, a questionar, a explorar e a colaborar.

Alguns exemplos de como usar as metodologias ativas para promover a aprendizagem significativa:

  • Sala de Aula Invertida: você já deve ter ouvido esse termo antes. Nessa abordagem, os alunos estudam o conteúdo em casa, no seu ritmo, através de vídeos, textos, podcasts ou outros recursos disponibilizados pelo professor. Assim, o tempo em sala de aula é utilizado para debates, esclarecimento de dúvidas e atividades práticas [1];
  • Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP): os estudantes trabalham em projetos que exploram temas de seu interesse, aplicando o conhecimento de forma prática e criativa. Sendo assim: eles pesquisam, investigam, praticam a resolução de problemas, colaboram entre si e apresentam o resultado para a turma [2]. Nessa metodologia, mais do que o produto final, o que torna a aprendizagem significativa é o processo, a construção do conhecimento;
  • Gamificação: que tal transformar o conteúdo em um jogo, com desafios, recompensas e rankings? Essa é uma excelente forma de engajar os alunos e transformar o aprendizado em algo dinâmico e divertido. Quer saber mais sobre essa metodologia leia, em seguida, outro texto do nosso Blog.
  • Debates: os alunos participam de debates sobre temas relevantes, defendendo seus pontos de vista, argumentando e aprendendo a ouvir e respeitar diferentes opiniões. Essa metodologia, então, desenvolve a capacidade de comunicação, a argumentação, o respeito às diferenças e, com certeza, contribuirá mais para a fixação de determinados temas do que uma simples explicação teórica.

E o professor, como fica nessa história?

O professor deixa de ser apenas um transmissor de conteúdo e passa a atuar como um facilitador da aprendizagem. Nosso papel é mediar discussões, orientar os alunos e criar um ambiente que estimule a curiosidade e a participação ativa [2]. Além disso, devemos conhecer bem nossos alunos, pois se a intenção é conectar conhecimento e realidade, precisamos saber qual é a realidade dos nossos estudantes para que possamos adaptar as estratégias da melhor forma.

A adoção de metodologias ativas é um passo essencial para tornar o ensino mais eficaz e a aprendizagem mais significativa. Sendo assim, quando possível, troque aquela aula expositiva-teórica por um debate, acrescente um jogo rápido de perguntas e respostas como arremate de um conteúdo ou proponha a análise de um estudo de caso. Teste, inove e perceba como pouco a pouco o engajamento pode se estabelecer e se ampliar em sua sala de aula.

E então, você já utiliza alguma dessas estratégias? Compartilhe sua experiência conosco! A troca com nossos leitores é sempre muito enriquecedora! 

Referências

[1] Como a gestão pode promover uma aprendizagem significativa – Instituto Unibanco. Disponível em: <https://www.institutounibanco.org.br/conteudo/como-a-gestao-pode- promover-uma-aprendizagem-significativa/>. Acesso em: 11 fev. 2025.

[2] SANTOS, G. Metodologias Ativas como Processo de Aprendizagem Significativa no Ensino Básico. Monografia de especialização – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2020. Disponível em: https://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/26851/1/ metodologiasaprendizagemensinobasico.pdf. Acesso em: 10 fev. 2025.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!