Educação ambiental em ação

Incorporando a educação ambiental em sala de aula e além – por Júnia Bicalho

Aumento das temperaturas globais, eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade… As consequências ambientais que estamos vivenciando são apenas o eco de décadas de ações irresponsáveis em relação ao meio ambiente. Atualmente, somos confrontados diariamente com os resultados dessas escolhas, mas o que podemos fazer para mudar esse curso? Como podemos educar a nova geração para quebrar esse ciclo de destruição e agir de forma mais responsável? Essas são questões cruciais a serem respondidas. O texto de hoje, fala da importância de trazer a educação ambiental para nossas salas de aula, explorando maneiras práticas de preparar nossos alunos para enfrentar os desafios e construir um futuro sustentável. Se o tema te interessa, então vem com a gente!

Educação ambiental: uma responsabilidade de todos


A educação ambiental é frequentemente relegada ao domínio das Ciências da Natureza, sendo tratada como um tema periférico, um suplemento no currículo escolar. Entretanto, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a educação ambiental como uma questão transversal, permeando todas as áreas do conhecimento. Essa abordagem não é apenas uma formalidade, mas sim, acima de tudo, uma necessidade urgente em face dos desafios ambientais que estamos enfrentando.

Para começar, além disso, é fundamental entender que a educação ambiental não se limita a ensinar sobre ecossistemas ou reciclagem. Ela é, antes de tudo, um exercício de reflexão crítica sobre nossa relação com o meio ambiente e suas consequências. Ademais, envolve questionar o modelo de desenvolvimento predatório que perpetua a degradação ambiental e as desigualdades sociais. Ao olhar para além das noções básicas de preservação ambiental, a educação ambiental nos convida a explorar as raízes dos problemas. Por exemplo, como a exploração desenfreada de recursos naturais, a poluição resultante das atividades industriais e a falta de consideração pelos impactos sociais dessas ações. Ela nos desafia a examinar criticamente as estruturas de poder e as injustiças que contribuem para a degradação, destacando a interseção entre questões ambientais e sociais.

Ao integrar a educação ambiental em todas as áreas do currículo, os educadores têm a oportunidade de transmitir conhecimentos sobre o ambiente e, simultaneamente, fomentar um entendimento mais profundo e incentivar ações que promovam a justiça ambiental e social. Isso significa ir além do ensino tradicional e envolver os alunos em discussões significativas sobre questões ambientais que afetam suas vidas e comunidades. Conforme mostrado na pesquisa de Lima et al (2018), mesmo quando pouco trabalhado no ambiente escolar, os alunos, em sua maioria, têm bastante afinidade e interesse pelo tema. Então, como trazer esse assunto para o ambiente escolar? Vejamos algumas dicas a seguir.

Dicas práticas para educadores

O primeiro passo para a incorporação do tema em sala de aula é promover a integração curricular. Em vez de tratar a educação ambiental como uma disciplina isolada, explore maneiras de integrá-la ao currículo da sua disciplina.

Por exemplo, em aulas de matemática, os alunos podem calcular a pegada de carbono de diferentes atividades humanas, como o consumo de energia elétrica ou o transporte. Além disso, em aulas de língua portuguesa, eles podem analisar e discutir textos sobre problemas ambientais e escrever redações argumentativas propondo soluções sustentáveis. Da mesma forma, ao estudar questões de saúde em aulas de biologia, os alunos podem explorar como a poluição do ar e da água afeta a saúde humana e identificar maneiras de mitigar esses impactos. Em aulas de história, eles podem examinar como as práticas coloniais e imperialistas contribuíram para a destruição de ecossistemas e a exploração de recursos naturais em todo o mundo, levando a desigualdades ambientais persistentes. As possibilidades são muitas. Com um olhar atento e sensível, você será capaz de identificar variadas formas de introduzir temáticas ambientais em suas aulas.

Além disso, para ir além do trabalho em sala de aula, a educação ambiental é um prato cheio para abordagens transversais. Assim sendo, vejamos duas sugestões de projetos que podem ser utilizadas para desenvolver o tema com uma abordagem interdisciplinar.

Exemplos de projetos

  • Projeto 1 – Horta Escolar

O projeto de horta escolar sustentável pode envolver disciplinas como biologia/ciências, geografia, matemática e língua portuguesa em todas as etapas, desde o planejamento até a manutenção da horta. Os alunos aplicarão conceitos de botânica, geografia e matemática para selecionar as plantas adequadas. Podem planejar o layout da horta e calcular as quantidades necessárias de sementes e água. Além disso, eles registrarão suas experiências e aprendizados por meio de diários de bordo e criarão materiais educativos para conscientizar a comunidade escolar sobre os benefícios da agricultura sustentável. Este projeto promove a aprendizagem prática, a integração curricular e o desenvolvimento de habilidades essenciais para a vida.

  • Projeto 2 – Eco-escola Sustentável

Neste projeto, os alunos serão desafiados a transformar sua escola em um ambiente mais sustentável. Eles deverão realizar uma análise ambiental da escola, identificando áreas de oportunidade para melhorias. Em seguida, irão desenvolver propostas de ação, como a implementação de práticas de reciclagem, a redução do consumo de energia, a criação de áreas verdes e a conscientização da comunidade escolar. A disciplina de biologia/ciências pode explorar os impactos ambientais das ações propostas, a geografia pode analisar aspectos geográficos relacionados à sustentabilidade. Similarmente, a disciplina de história pode analisar o histórico ambiental da região, explorando como as atividades humanas ao longo do tempo impactaram o meio ambiente local. A matemática, nesse sentido, pode calcular o potencial de economia de energia e recursos. A língua portuguesa pode auxiliar na elaboração de relatórios, enquanto artes colabora com a construção de materiais de conscientização.

Responsabilidade compartilhada

A educação ambiental é uma responsabilidade de todos e os educadores desempenham um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes e engajados na preservação do meio ambiente. Seja por meio de atividades corriqueiras em sala de aula ou projetos interdisciplinares mais elaborados, há muitas maneiras de trazer a educação ambiental para a sala de aula e o ambiente escolar e preparar os alunos para enfrentar os desafios ambientais do século XXI

Então, que tal começar hoje mesmo? Conta pra gente se você já trabalha a educação ambiental em sua sala de aula e se irá aproveitar alguma de nossas dicas. Ficaremos felizes em saber mais sobre sua experiência!

Referências

Outros textos do Blog sobre a temática da Educação Ambiental:
Políticas de engajamento a uma educação ambiental
O que você sabe sobre racismo ambiental?
Explorando o tema da crise climática 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.

LIMA, A. C. P. et al. Trabalhando a educação ambiental em sala de aula como instrumento sensibilizador de ações cotidianas. Repositório Institucional UEA, 18 dez. 2018.

Para entender a Educação Ambiental na BNCC. Disponível em: <https://observatorio.movimentopelabase.org.br/para-entender-a-educacao-ambiental-na-bncc/>. Acesso em: 27/04/2024. 

compartilhar

Relacionados

Metodologias ativas e inovadoras: uma ruptura do foco no ensino para o foco na aprendizagem

Como as metodologias ativas podem ser utilizadas para garantir um processo de ensino-aprendizagem mais engajante e significativo? por Joice Andrade       Quadro e giz, (…)

Educação no campo: saberes da terra, vozes do Serrote

Por Lucas Sobreira  No Serrote do Urubu, uma comunidade rural nos arredores de Petrolina, sertão do São Francisco, a educação pulsa entre as pedras, (…)

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS:

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS: O QUE ISSO REVELA SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA? por Lucas Kauan N. De Santana No Brasil, a atuação docente (…)

Encontrou o que precisava?

Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!