Não desista da primeira vez, as metodologias ativas podem ser a solução
- O que são metodologias ativas?
Se você já procurou por algum tipo de método de ensino inovador, capaz de atrair a atenção de seus estudantes para a aula e de fazê-los interagir e engajar com o tema e as questões apresentadas, provavelmente já viu algo sobre metodologias ativas. Esse termo vem ganhando cada vez mais destaque em sites e páginas sobre pedagogia e em formações para professores, mas, quando se trata de colocar em prática toda essa bagagem de conhecimentos, a realidade é mais complexa. Tudo o que é novo pode gerar uma certa resistência, tanto por parte da direção e da coordenação da escola, quanto dos próprios professores e dos alunos. No ambiente escolar, é comum ouvir frases como: “isso não vai dar certo”, “os alunos não vão se interessar”, “essa turma é muito agitada”, ou “essa turma é muito apática”.
No entanto, as metodologias ativas podem tornar a aprendizagem mais significativa, porque o professor fala menos, orienta mais, e o estudante tem uma participação ativa na aula (DOLAN, COLLINS, 2015 apud MORAN, BACICH, 2018). A aprendizagem, dessa forma, volta-se para situações-problema reais, de modo a se comunicar com o estudante de forma direta e próxima e ainda desenvolver nele habilidades, como colaboração, empatia, responsabilidade, senso crítico e resolução de problemas. Diante disso, as metodologias ativas são necessárias não só para a formação técnica do estudante, mas para sua construção como cidadão e cidadã.
- Tipos de metodologias ativas
Entre as metodologias ativas podemos destacar: rotação por estações, sala de aula invertida, aprendizagem baseada em investigação e problemas, aprendizagem baseada em projetos, aprendizagem por histórias e jogos, aprendizagem entre pares e times, entre outras. Ou seja, existe uma série de possibilidades, pois cada metodologia tem um formato e um foco específico em alguma habilidade.
Se seu intuito é estimular seus estudantes a resolver problemas ou desenvolver um projeto que tenha relação com sua vida e com a comunidade onde vive, a aprendizagem baseada em projetos é a metodologia ativa mais indicada. Ela permite ao aluno tomar decisões, agir sozinho e em equipe e desenvolver habilidades do século XXI, como pensamento crítico e criativo, através de uma aprendizagem colaborativa.
- Metodologia ativa na prática: caso da Feira Cultural dos Estados
No contexto do Novo Ensino Médio, em especial quando se trata do currículo de Linguagens, a aprendizagem baseada em projetos pode ser uma boa aliada.
No meu caso, sou professora de Língua Portuguesa do 1º Ano em uma escola pública de Luziânia-GO, e desenvolvi com meus estudantes uma feira cultural dos estados. Nela, como produto final, eles deveriam apresentar os principais pontos da cultura do estado selecionado e uma manifestação cultural tradicional que luta pela conquista de direitos sociais, como forma de compreender o valor e a força da cultura.
Para ficar claro, estruturei o projeto da seguinte forma:
- Atividade de motivação e contextualização: inicialmente, passei um questionário para meus alunos responderem sobre o estado onde eles nasceram e de onde a família deles são ou vieram. Após isso, percebi que muitos deles vinham de outros estados que não Goiás. Para ampliar a reflexão, apresentei dados da CODEPLAN (Companhia de Planejamento do Distrito Federal) sobre as características da população de Luziânia, evidenciando que parte considerável dela é oriunda de outros estados. Assim, propus para eles para conhecermos mais sobre as culturas desses estados, de modo que cada grupo assumiu a responsabilidade de pesquisar mais sobre um estado determinado.
- Atividade de brainstorming: Com os grupos e os estados definidos, orientei os alunos a pesquisar sobre a cultura para saber mais sobre as comidas típicas, danças, músicas, festas populares, arquitetura, artes (pinturas, esculturas, bordado, grafite e outras) e gírias. Isso permitiu que eles começassem a ter ideias de como fazer a apresentação para a turma, pois a intenção era que eles desenvolvessem um produto criativo e instigante.
- Atividade de organização: A partir do momento em que os estudantes obtiveram conhecimentos sobre a cultura do estado, os auxiliei na divisão de tarefas de acordo com a proposta que cada grupo estava criando para a apresentação.
- Atividade de registro e reflexão: Em sequência, orientei que eles registrassem as informações obtidas através da pesquisa para que pudessem refletir e selecionar quais seriam as mais relevantes para a apresentação. Além disso, reforcei a importância de eles escolherem uma manifestação cultural que lutasse por direitos sociais para expor mais detalhes.
- Atividades de melhorias: Com o trabalho encaminhado, pedi para cada grupo me apresentar o que eles achavam que o trabalho tinha de positivo até então e o que ainda precisava melhorar. Com base na visão deles e no que observei durante as etapas anteriores, dei meu feedback para que eles pudessem levar o projeto para a parte de produção.
- Atividade de produção: Cada grupo produziu seu recurso para a apresentação, como slides, murais e vídeos.
- Atividade de apresentação: Cada grupo apresentou para a turma a cultura e a manifestação tradicional de seu estado através do recurso escolhido.
O projeto em questão se deu dentro de uma única disciplina e apresentou curta duração, no caso, 2 semanas, conforme tabela abaixo:
| Tipo de atividade | Duração |
| Atividade de motivação e contextualização | 1 aula |
| Atividade de brainstorming | 1 aula |
| Atividade de organização + Atividade de registro e reflexão | 1 aula dupla |
| Atividade de melhorias | 1 aula |
| Atividade de produção | 1 aula dupla |
| Atividade de apresentação | 1 aula dupla |
No tocante à avaliação, observei o engajamento e a participação de cada estudante durante todas as atividades, bem como analisei o produto final e solicitei que eles fizessem uma autoavaliação. Todo esse processo foi importante para que eu percebesse a mudança de comportamento de alguns estudantes, pois se tratava de uma turma que demonstrava pouco interesse em relação aos conteúdos passados.
Parte dos alunos se dedicaram de fato, produzindo vídeos próprios, construindo cenários e até mesmo fazendo comidas típicas do estado. Esses estudantes ainda afirmaram que o projeto permitiu que eles aprendessem mais sobre o conteúdo e sobre a cultura do lugar onde vivem, porque eram eles que estavam pesquisando, sistematizando as informações e passando para os demais colegas. Assim, vemos aqui o valor da autonomia e do protagonismo do aluno em sua própria aprendizagem.
Infelizmente, há casos de alunos que não participaram, sendo esse um dos principais desafios, mas é importante ter em mente que o resultado desse tipo de prática não é imediato, é necessário persistência. Quando falamos das metodologias ativas, elas não são novas só para os professores, mas também para o aluno. Ele, muitas vezes, está acostumado a atividades automatizadas baseadas em cópia e, assim, pode entender que esse tipo de metodologia não é uma aula ou que não vai agregar em nada para ele. Por isso, é importante deixá-los cientes do modelo de aula, expondo o que é e o porquê.
- O valor da metodologia ativa
Por mais que seja difícil e trabalhoso, o retorno desse tipo de prática tende a ser gratificante para o professor e para o aluno. Notar o empenho e emoção dele diante do conhecimento é um resultado inestimável. É ver aluno “aprender aprendendo”, “dentro, fora e pelo avesso”, como diz Pedro Bandeira, colocando a mão na massa e construindo.
E aí, professor, pronto para se aventurar por esses novos mares e levar seus estudantes a descobrir um novo lugar em seu processo de aprendizagem? Vamos juntos! Mande uma mensagem e conte com a Curiós nessa jornada.
Referências:
MORAN, José; BACICH, Lilian. Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora: Uma abordagem teórica-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
MCDOWELL, Michael. 3 Strategies to Help Students Move From Start to Finish in PBL. Edutopia, 2021. Disponível em: <https://www.edutopia.org/article/3-strategies-help-students-move-start-finish-pbl>. Acesso em: 05 dez. 2022.
