Descubra como as metodologias ativas com uso de tecnologias digitais podem fazer a diferença nas salas de aula da Educação Básica
Por Samuel Godinho
Nós já falamos aqui na Curiós sobre como tecnologias simples podem ser fundamentais no engajamento de estudantes. Inclusive, é possível que você já use recursos tecnológicos em suas aulas, como uma caixinha de som para reproduzir músicas ou um projetor com imagens e vídeos instigantes. Afinal, não é de hoje que temos ouvido falar sobre como a tecnologia pode apoiar o processo de ensino e aprendizagem, especialmente se aliarmos metodologias ativas com uso de tecnologias digitais. Pensando sobre isso, eu me lembrei de 3 momentos em que tecnologias simples potencializaram a minha participação e de meus colegas em situações de aprendizagem. A seguir, eu relato essas ocasiões e reflito sobre como tais ferramentas podem fazer a diferença nas salas de aula da Educação Básica.
1. Rotação por estações com Google Formulários
Durante a minha graduação, eu tive o privilégio de contar com professoras e professores muito criativos e com aulas muito práticas e desafiadoras. Eu me lembro com carinho de uma delas em que o professor apresentou um conteúdo novo, sobre o qual eu nunca tinha ouvido falar. Era noite e eu já estava bastante sonolento, por ter passado o dia fazendo estágio. Por mais interessante que o conteúdo parecesse, eu não diria que a parte expositiva da aula tenha sido engajadora e participativa. Até que o professor anunciou que faríamos um teste ao fim da aula. Nas suas palavras, a atividade contaria para nossa nota final na disciplina, mas seria bastante simples. A partir daí, notei que todos se arrumaram em suas cadeiras e começaram a tomar nota do que estava sendo apresentado, inclusive eu. Quando chegou o momento da avaliação, o professor se dirigiu ao seu computador e enviou um teste do Google Formulários para o e-mail de todos os estudantes. Cada um deveria responder ao formulário digital à sua maneira, em seu próprio celular ou no de um colega, caso não tivesse um em mãos. As questões eram realmente simples, apenas para verificar o entendimento daquilo que ele havia acabado de expor oralmente. Em momento algum o professor cobrou que as questões fossem respondidas individualmente, deixando que os colegas se ajudassem tanto com os problemas de acesso tecnológico, quanto com as dúvidas em relação ao conteúdo. A estratégia era apenas uma forma de engajar os estudantes, ao mesmo tempo que permitia ao professor colher evidências de presença e participação de cada um de nós.
Quando penso em como essa atividade poderia ser ainda mais interessante, acredito que o uso de metodologias ativas como a Rotação por Estações, poderia potencializar a experiência. Por exemplo, uma professora ou professor pode criar 3 estações em que o conteúdo teórico é exposto por vídeo, áudio e/ou texto e os estudantes respondem sobre o que entenderam num formulário digital. Assim, eles se sentem estimulados desde o começo, sem a necessidade de que haja uma parte da aula que seja inteiramente expositiva. Como os formulários eletrônicos são bastante intuitivos, o professor não precisa explicar a atividade de cada estação, permitindo que os estudantes trabalhem autonomamente. Isso pode ser feito numa sala de aula da Educação Básica, desde que haja pelo menos três dispositivos com acesso à internet (um para cada estação).
2. Sala de aula invertida com Plickers
Outra boa oportunidade que tive, foi participar de excelentes oficinas formativas, ao longo dos meus primeiros anos como professor de escola pública. Uma delas aconteceu num sábado, depois de uma semana de trabalho bastante agitada. Era uma formação longa que aconteceria em dois turnos. Depois do almoço, fomos para a biblioteca da escola, sentindo aquela baixa disposição de quem já havia passado a manhã discutindo os limites e possibilidades da profissão docente. Os mediadores da formação nos entregaram cartões plastificados, que eu já sabia serem da plataforma Plickers. Ao contrário do que eu pensei, a atividade proposta não foi uma verificação de aprendizagem ou qualquer tipo de avaliação. Era apenas uma atividade “quebra-gelo”, com perguntas divertidas sobre a cultura local e espaços da cidade. Essa foi a forma que os mediadores encontraram para nos envolver no momento formativo, após a pausa para o almoço. Ao mesmo tempo, foi uma oportunidade de vivenciar uma experiência didática estimulante, com a intenção de que pudéssemos fazer o mesmo com os nossos estudantes. Depois dessa atividade, estávamos mais dispostos a participar das reflexões que viriam a seguir.
Nessa perspectiva, pensei em quantos momentos diferentes aquela tecnologia digital poderia ser usada nas minhas aulas, especialmente associada com metodologias ativas, como a Sala de Aula Invertida. Uma opção seria propor aos estudantes que pesquisem sobre um determinado tema, ou simplesmente leiam algumas páginas pré-definidas de um livro em casa. Quando estiverem de volta à aula, podemos utilizar o Plickers para verificar o entendimento dos estudantes sobre o tema. Como a ferramenta mostra ao professor os resultados individuais de cada um, bem como o desempenho da turma para cada questão, é possível definir qual vai ser o foco da explicação a partir dos principais erros cometidos. Outra opção seria utilizar a mesma estratégia para a revisão dos conteúdos abordados ao longo de uma unidade temática. O docente compartilha com os alunos o que devem revisar em casa e, na sala de aula, testa – com o apoio do Plickers – quais habilidades já foram consolidadas pela turma e quais precisam continuar a ser trabalhadas. Desse modo, a tarefa de revisar fica compartilhada entre estudantes (que se preparam em casa) e professor (que foca em revisar apenas os conteúdos críticos). Essa estratégia pode ser utilizada numa sala de aula da Educação Básica, desde que haja pelo menos um dispositivo com acesso à internet, a ser manuseado pela professora ou professor.
3. Aprendizagem baseada em projetos com Trello
O último exemplo de metodologias ativas com uso de tecnologias digitais que eu gostaria de compartilhar é o uso do Trello para a gestão de projetos escolares. Muito se fala na Aprendizagem Baseada em Projetos como uma estratégia para ser usada em sala de aula, dentro da rotina escolar tradicional. No entanto, tenho muito apreço por um projeto de requalificação do Laboratório de Informática e Biblioteca Escolar de uma escola municipal, que eu ajudei a colocar em prática. A ideia surgiu da necessidade de devolver o uso ao espaço que havia se tornado um depósito de livros, sem qualquer utilidade pedagógica. Num trabalho que contou com o apoio da gestão escolar e a ação coordenada de professores, funcionários e estudantes, conseguimos restabelecer o uso pedagógico do local. A aprendizagem aqui não se deu dentro da sala de aula tradicional, pois o projeto era totalmente opcional, com a participação de docentes e alunos que se interessaram em ajudar fora do seu turno de aulas. Por sua vez, a aprendizagem envolveu o desenvolvimento de habilidades de pesquisa, catalogação, seleção, organização, comunicação e criatividade.
A ferramenta que utilizamos para coordenar esse processo foi o Trello, que permitiu o acompanhamento das tarefas de forma compartilhada. Seu uso foi possível graças a presença de um computador com internet, que estava disponível na escola, e que era compartilhado pelos professores envolvidos no projeto. Os estudantes também utilizavam a máquina, mas sempre com a supervisão dos adultos.
Enfim, para além da sala de aula, existem muitos projetos a serem desenvolvidos na escola, que podem ajudar a colocar professores e estudantes em experiências de aprendizagem realmente motivadoras. Não tenha medo de tentar!
Ah, e se precisar de ajuda com o primeiro passo, a equipe da Curiós vai adorar te ajudar! Mande uma mensagem! 🙂
Referências:
Educação Mediada por Tecnologias – O trello e a aprendizagem baseada em projetos. UNIVESP. YouTube. 22 de novembro de 2021. Disponível em: <https://youtu.be/fHy94EVtv98>. (17 min.).
